Quero-te assim

Quero-te assim, despida de re ndados, sem espartilho, pálida cecém. Sem as cadeias que a riqueza tem, fúteis, lambendo traços delicados! Tira as pulseiras de ouro, essas serpentes fulvas! Quero-te os braços livres, soltos! Deixa a fita cair! Caiam revoltos os fios negros dessas tranças quentes! Assim! Quero-te assim, livres de peias os braços brancos … Ler maisQuero-te assim

Ciclo

Havia na minha aldeia um rio sempre a cantar, em noites de lua cheia, nos dias de sol sem par. Por pedras, a marulhar, descansava, volta e meia, do constante caminhar, em brancos leitos de areia. As águas, pela amplidão, lá do mar retornarão à fonte cantante e pura… Fora assim minha vida, após a … Ler maisCiclo

Prece ao além

Minh’alma por ti tão espezinhada entre jazigos oscila docemente… Faz sentir uma jovem algo demente tateando um abrigo ou pousada. Aos primeiros lampejos da alvorada tua tumba ela vigia contente, têm esperanças que, de repente, volvas para ver a última morada. E esperará pela vida em fora, junto dela aguarda-te um madrigal… Hás de ouvi-lo … Ler maisPrece ao além

À tardinha

Adejava no ar uma andorinha que os insetos voláteis perseguia. Ora subia mais, ora descia, bafejada das auras da tardinha. Tanto voou que foi se uma peninha, que em lugar de baixar, sempre subia, e para reavê-la se esvaia, pois a pena, subindo, não lhe vinha. Vendo-a enfim, se perder na infinidade, a avezinha desceu … Ler maisÀ tardinha

Pecadora

De penetrante olhar, altiva e sorridente, flor a desabrochar em plena primavera; era a beleza ao vivo e decididamente, quisera para mim o seu amor, quisera! Pecadora! Fingiste amar sinceramente, com as juras de amor, transcendental quimera; guardarei o calor daquele beijo ardente, em aurora triunfal, maravilhosa esfera! O nosso amor nasceu no auge do … Ler maisPecadora

Carnaval Moderno

(A propósito da batalha de confete no Jardim da Cascata no carnaval de 1911) Nestes ruidosos, vívidos três dias, em que se presta culto ao deus palhaço, deliciosamente se enche o espaço de encantos e perfumes e harmonias. A alma, no arroubo são das alegrias, no doce afã dos brincos, nem cansaço sente, nem lembra … Ler maisCarnaval Moderno

A Seca

Chora a campina o fenecer das moitas, que o sol dardeja com volúpia ingente. Aves famintas esvoaçando afoitas, fogem da luz abrasadora e ardente. Sumiu do espaço madrigal aroma, que as auras sopram no floral dos campos. Não tem a aurora aquela luz que assoma, com brilho intenso de fulgor mais amplo. No céu; à … Ler maisA Seca

Ontem e hoje

Jamais eu vira tão gentil menina, olhos formosos, cheios de ternura, as mãos delgadas tinham tal brancura, que uma coisa julguei logo divina. Possuía a boca rósea e pequenina, bastos cabelos de uma cor escura; tinha meiga e distinta compostura, de corpo era, porém, pouco franzina. Usava ainda um vestidinho curto, e ainda um homem … Ler maisOntem e hoje

As três borboletas

No seio de uma purpurina rosa, regaço meiga de suave encanto, três borboletas, dentre as mais formosas, pousam, envoltas em dourado manto. Manto de luz, que sobre as asas resta, pólen dourado, cintilante, exul, conversam todas, cada qual mais lesta: a branca, a preta e a derradeira, azul. Diz a terceira, cor de azul celeste: … Ler maisAs três borboletas

O ônibus do Ciro

O pessoá de Coruputuba tá tudo de parabém, o Ciro arranjô um bonde até parece um trem. O tal é bunito memo, é amarelo e espaçoso e corre que é uma beleza tem andarzinho gostoso… Nóis vamo ponha um nome belo, pra nóis, de hoje em diante, é o “Passarinho Amarelo”…. Poema em estilo ‘caipira’ … Ler maisO ônibus do Ciro

Paráfrase

Quando em breve chegar o ameno estio e tu fores, chorando, ao Campo Santo em busca do meu túmulo sombrio, ao vê-lo, hás de sorrir, cheia de espanto. Sim, porque sobre aquele chão baldio que nunca teve nem sequer teu pranto, desdobrado, verás, fofo e macio da natureza em fl or o verde manto. Flores … Ler maisParáfrase