Lembranças Literárias

A volta do Imperador

Cento e cinquenta anos depois de sua inesquecível passagem pela terra natal do comandante de sua guarda, o imperador Pedro I, saindo novamente do Rio de Janeiro com destino a São Paulo, voltou a fazer uma parada na Vila Nossa ...

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A garça exilada

De asas cortadas, sobre um tarso erguida, a nívea garça, triste como um pariá, contemplativa, imóvel, solitária, sonhar parece n’uma extinta vida. Indiferente à alegre, à mundanaria turba que passa na afanosa lida, - Na pátria azul do sonho, entorpecida, revê talvez a pátria imaginária... Junto do lago ...

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Ternura

Passa os teus dedos vagarosamente por meus cabelos... indolentemente... esses dedos de rosa e de cetim. Fita-me assim, numa ternura ardente, no abandono infinito de quem sente o desmaio do amor... assim... assim... Fruindo essa carícia langorosa, tenho a louca ilusão de que sou bem feliz! Vejo a vida ...

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Taça Maldita

Esse que vês na rua alcoolizado, como o palhaço a que a plateia acena, não causa às turbas impassíveis pena. É uma vítima imbele: cumpre o fado. O pai bebera tanto, e o desgraçado pega impulsivo a taça que envenena, parte aos pedaços, ruge como hiena! Pulsa-lhe ...

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Lembranças Literárias: Junho

Junho que trazes tuas noites frias enfeitadas de estrelas e luar... Que lembras festas, cantos e alegrias que as tradições nos fazem recordar... Junho – mês das fogueiras crepitantes, das bombas e foguetes soltos no ar, dos balões coloridos dos amantes sertanejos que dançam a sonhar... Junho – ...

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Beijo de amor

Beijo de amor! Delícia esmagadora! Vibras nas almas, de paixões ardentes, como os divinos frêmitos ridentes da terra, em flores, quando rompe a aurora! Beijo de amor! Beijo mortal, embora! É deste mundo o mais feliz dos entes quem te colhe nos lânguidos, trementes e rubros lábios ...

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Teus olhos

Teus olhos terníssimos, tão vagos... dois sóis lassos morrendo lá distante , são mais doces que os beijos, que os afagos, da lua argêntea, pelos céus errante... Esses teus olhos são dois mudos lagos, onde percebo entre o esplendor vibrante, uns longes de tristeza em seus ...

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Outono

Se te encontrasse um dia, nesse instante eu te dissesse o que a nenhuma digo. Frases comuns de amor: ‘sonhei contigo’, ou ‘não posso viver de ti distante...’ Se fosses uma estrela cintilante por uma noite azul de um luar amigo, vendo as sombras atrás e ...

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Alma solitária

O vento melancólico e cruel geme por entre os galhos morimbundos, e seu pranto é amargo como o fel. E o vento a chorar... Chora amargo o vento. Suas rajadas rasgam sem piedade as entranhas do bosque agonizante. E as folhas mortas dançam junto ao vento, que ...

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Ontem e hoje

Jamais eu vira tão gentil menina, olhos formosos, cheios de ternura, as mãos delgadas tinham tal brancura, que uma coisa julguei logo divina. Possuía a boca rósea e pequenina, bastos cabelos de uma cor escura; tinha meiga e distinta compostura, de corpo era, porém, pouco franzina. Usava ainda ...

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Soneto (Stechetti)

Não procuro saber o que é que havia dentro da tua cama perfumada, ou se em teu peito lânguido batia um coraçao de santa ou malvada! Não procuro saber se ela mentia entre as promessas da paixão jurada, nem pretendo fazer a anatomia daquela hora de amor, ...

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Dois corações

Eu tenho duas filhas – dois amores! para mim, são mui lindas eu bem sei Sim, adoro muito estas duas flores, Amo-as demais como jamais amei! Dentro do peito, sinto mil fervores; e dentro d’alma o amor que dediquei, a estas criaturas – dois primores que feliz ...

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