Poema ao som da chuva

Que chuva sem fim! Vem caindo, escorregando… Fustigando a rua. Que tristeza sem fim a da natureza. Até os montes risonhos quietam-se atrás de véus neblinais. A natureza chora chuva. Que nostalgia sem fim a minha. Vem vindo, ficando… Chove lágrimas de nostalgia! Será meu pranto infinito essa chuva sem fim? Em cada gota saudades … Ler maisPoema ao som da chuva

Noivos

Amigo, o céu de tua vida agora de um novo brilho rútilo se enfeita: – O olhar formoso da formosa eleita, eleita de tua alma sonhadora. Ao fulgor dessa luz enlevadora toda amargura em ti sentes desfeita e a alegria, mais franca e mais perfeita, entra cantando por tua alma afora… Queira o céu piedoso … Ler maisNoivos

A uma ânfora

Há no traço de tuas curvas finas e em tua forma esguia e delicada, uma harmonia, apenas esboçada, de esbeltezas e linhas femininas. Despertar-me lembranças me alucinas à vista apresentando inacabada, a silhueta de alguma ignota amada que nunca, nunca de traçar terminas. Tremem-me as mãos se as pouso em… quisera abraçar-me a teu colo, … Ler maisA uma ânfora

O Carreiro

Descuidado e feliz, além pelo sertão, diante dos tardos bois caminha o bom carreiro: Traz na boca um cigarro e, de “guia” na mão fustiga sem piedade o par de bois dianteiro. Quando em quando solta uma terna canção que vai ecoando pelo despenhadeiro, como se lá do fundo escuro do grotão lhe respondesse ao … Ler maisO Carreiro

A Alma do Sino

O sino no alto da Matriz parece um sonhador num sonho vago, imerso… assemelha-se a mim, quando ele tece a Divinal Mentira do Seu Verso… O Sino da Matriz, sereno e mudo pensa… espalhando o olhar pela cidade no terminar estético de um tudo ou na promessa vil da liberdade… O som do sino lembra … Ler maisA Alma do Sino

Jardim da Cascata

Doce recanto amigo! Como é grande por ti o meu afeto! Pelos rosais sorrindo – os teus lábios risonhos -, Sossegado, feliz, cismativo, indolente, O teu suave aspecto Põe a alma em excelente Disposição para sonhar os sonhos Que abrem no seu recesso mais seleto! Jardim de sonhador silêncio, eu te bendigo! Quantas vezes, Pela … Ler maisJardim da Cascata

Quem bem ama…

Já nem um vestígio agora existe de tudo que passou… Teus bilhetes queimei, como pediste, e em fumo, em cinza, o vento dispersou. Tranquiliza-te… pois nenhum traço indiscreto ficou do nosso amor… Desse amor de que trago ainda repleto o coração, que era alegria e é dor. – Só não pude apagar dessa boca perjura … Ler maisQuem bem ama…

Padre Nosso para uso dos tipógrafos

Chefe nosso que estais na redação, muito bons dias, que vamos ‘distribuir’; venham a nós os vossos originais; seja feita a vossa vontade assim na ‘composição’ como na ‘impressão’. O salário nosso de cada semana, nos daí sábado. Perdoai-nos Senhor, os nossos ‘pastéis’, assim nós perdoamos a má letra e as terceiras ‘provas’; não nos … Ler maisPadre Nosso para uso dos tipógrafos

Chove

Chove, A vidraça chora. O vento põe no parque um soluço de outono. Range uma porta e bate, e parece que implora Numa voz de abandono… Chove… Dir-se-ia que milhões de alfinetes acertam Nos vidros frios e se espetam. Chove, A vidraça chora. O céu esconde a última nesga azul que existe, Sob um manto … Ler maisChove

Casa do fogo

Sendo o decano da localidade, Ah! Quantas cousas viu, interessantes desde os dias de outrora mais distantes, este sobrado de proveta idade! “Loja dos Lemes” foi porém muito antes como “casa do fogo” da cidade, uma arca santa que a comunidade mantinha com desvelos incessantes. Em seu recesso ardia uma fogueira Perenemente; e assim que … Ler maisCasa do fogo

Ciumes de caboclo

Na capela, um dia, a vira de joelhos a orar, contrita e, desde então, se sentira doido de amor pela Rita. “Males de amor ninguém tira…”, geme, ingênuo de alma aflita, ao recordar-se o caipira dessa morena bonita. Mas eis que em ciumes ardendo, punhos cerrados erguendo para o céu, blasfema, aflito, Ao lembrar-se que … Ler maisCiumes de caboclo

Vida e morte da figueira

Um dia ela nasceu à beira do caminho e teve com as outras plantas a sua infância! foi ganhando altura, linda, em seu cantinho sem aspirar jamais o cetro da arrogância! Os anos que passavam seu progresso viam, na vestimenta verde-escuro da folhagem, pois de seu tronco gigantesco então partiam os múltiplos e fortes braços … Ler maisVida e morte da figueira