Casa do fogo

Sendo o decano da localidade, Ah! Quantas cousas viu, interessantes desde os dias de outrora mais distantes, este sobrado de proveta idade! “Loja dos Lemes” foi porém muito antes como “casa do fogo” da cidade, uma arca santa que a comunidade mantinha com desvelos incessantes. Em seu recesso ardia uma fogueira Perenemente; e assim que … Ler maisCasa do fogo

Ciumes de caboclo

Na capela, um dia, a vira de joelhos a orar, contrita e, desde então, se sentira doido de amor pela Rita. “Males de amor ninguém tira…”, geme, ingênuo de alma aflita, ao recordar-se o caipira dessa morena bonita. Mas eis que em ciumes ardendo, punhos cerrados erguendo para o céu, blasfema, aflito, Ao lembrar-se que … Ler maisCiumes de caboclo

Vida e morte da figueira

Um dia ela nasceu à beira do caminho e teve com as outras plantas a sua infância! foi ganhando altura, linda, em seu cantinho sem aspirar jamais o cetro da arrogância! Os anos que passavam seu progresso viam, na vestimenta verde-escuro da folhagem, pois de seu tronco gigantesco então partiam os múltiplos e fortes braços … Ler maisVida e morte da figueira

Crepúsculo

O sol vai descambando no ocidente procurando lentamente se esconder, enquanto a brisa soprando levemente parece toda a natureza adormecer! É a tarde que em suave despedida, vai perdendo a sua bela claridade, parece-me que a terra toda é envolvida num manto de tristeza e de saudade! Na imensidão do espaço escampo aparecem os primeiros … Ler maisCrepúsculo

Quero-te assim

Quero-te assim, despida de re ndados, sem espartilho, pálida cecém. Sem as cadeias que a riqueza tem, fúteis, lambendo traços delicados! Tira as pulseiras de ouro, essas serpentes fulvas! Quero-te os braços livres, soltos! Deixa a fita cair! Caiam revoltos os fios negros dessas tranças quentes! Assim! Quero-te assim, livres de peias os braços brancos … Ler maisQuero-te assim

Ciclo

Havia na minha aldeia um rio sempre a cantar, em noites de lua cheia, nos dias de sol sem par. Por pedras, a marulhar, descansava, volta e meia, do constante caminhar, em brancos leitos de areia. As águas, pela amplidão, lá do mar retornarão à fonte cantante e pura… Fora assim minha vida, após a … Ler maisCiclo

Prece ao além

Minh’alma por ti tão espezinhada entre jazigos oscila docemente… Faz sentir uma jovem algo demente tateando um abrigo ou pousada. Aos primeiros lampejos da alvorada tua tumba ela vigia contente, têm esperanças que, de repente, volvas para ver a última morada. E esperará pela vida em fora, junto dela aguarda-te um madrigal… Hás de ouvi-lo … Ler maisPrece ao além

À tardinha

Adejava no ar uma andorinha que os insetos voláteis perseguia. Ora subia mais, ora descia, bafejada das auras da tardinha. Tanto voou que foi se uma peninha, que em lugar de baixar, sempre subia, e para reavê-la se esvaia, pois a pena, subindo, não lhe vinha. Vendo-a enfim, se perder na infinidade, a avezinha desceu … Ler maisÀ tardinha

Pecadora

De penetrante olhar, altiva e sorridente, flor a desabrochar em plena primavera; era a beleza ao vivo e decididamente, quisera para mim o seu amor, quisera! Pecadora! Fingiste amar sinceramente, com as juras de amor, transcendental quimera; guardarei o calor daquele beijo ardente, em aurora triunfal, maravilhosa esfera! O nosso amor nasceu no auge do … Ler maisPecadora

Carnaval Moderno

(A propósito da batalha de confete no Jardim da Cascata no carnaval de 1911) Nestes ruidosos, vívidos três dias, em que se presta culto ao deus palhaço, deliciosamente se enche o espaço de encantos e perfumes e harmonias. A alma, no arroubo são das alegrias, no doce afã dos brincos, nem cansaço sente, nem lembra … Ler maisCarnaval Moderno

A Seca

Chora a campina o fenecer das moitas, que o sol dardeja com volúpia ingente. Aves famintas esvoaçando afoitas, fogem da luz abrasadora e ardente. Sumiu do espaço madrigal aroma, que as auras sopram no floral dos campos. Não tem a aurora aquela luz que assoma, com brilho intenso de fulgor mais amplo. No céu; à … Ler maisA Seca