A filha do coveiro

(do cancioneiro espanhol) Presa de um mal traiçoeiro, acabara de expirar a filhinha do coveiro exclusivo do logar. Ele mesmo a filha amada ao cemitério levou, abriu-lhe a final morada, co’as próprias mãos e enterrou. Só quando a tarde desceu do Campo santo saiu: Numa das mãos o chapéu, n’outra a pá que lhe servia. … Ler maisA filha do coveiro

O beijo da morta

Cresce a invernosa noite, um frio intenso morde-me as carnes: – lívido, gelado, no leito me ergo… e escuto o desolado vivo do inverno, atroz, convulso, imenso… Tento dormir. Em vão! Escuto e penso, penso na eterna ausente… Ah! Se a meu lado ela estivesse! Um beijo perfumado! Um só! Me fora ardente e ideal … Ler maisO beijo da morta

A uma pianista

Quando te vejo ao piano, flor mimosa, e teus dedos sutis voam de leve, cada mão delicada, cor de neve, sobre o marfim, semelha branca rosa… Então posso julgar quanto te deve minh’alma triste que em silêncio goza e o céu demanda tenue, vaporosa, no meu sonho fugaz, que morre em breve… Julgo viver na … Ler maisA uma pianista

Quadro Roceiro

Cantando à viola, tristonho, o pobre do bom caipira evoca o perfil risonho da filha do Sucupira, linda morena que vira, num samba, como num sonho… E, enquanto em mágoas se embuça seu coração sofredor, lhe geme o peito e soluça a viola versos de dor, e o sofrimento lhe aguça a lembrança desse amor. … Ler maisQuadro Roceiro

Falsa

Ela jurou-me amor em certo dia, e eu nesse falso juramento dado. Passou-se o tempo… nesse enlevo eu ia sentindo n’alma esse ideal sonhado. Porém, meu Deus, oh! quanta fantasia, tinha aquela mulher em mim lançado! O peito seu estava, em demasia, de múltiplas mentiras saturado. Mentiu-me muito, mas mentiu-me tanto, com tal engenho que … Ler maisFalsa

“Só pra intertê”

Noite… em torno da fogueira, num rancho em pleno sertão, reunida a gente tropeira ouve, em silêncio, o Janjão. É uma história corriqueira dos tempos que longe vão, o causo de um fazendeiro que “virara em sombração”! “Esconjuro” – Brada o Dito, ao que responde o nhô Vira: – Cale a boca seu mardito! É … Ler mais“Só pra intertê”

Sonho de moça

Minh’alma sonha às vezes, docemente, co’alguém… o ‘príncipe encantado’, que há de acordar, um dia, terno e ardente, meu coração, que dorme sossegado… E esse alguém, que há de ser futuramente meu companheiro, meu esposo amado, desejo me conceda o Onipotente seja-me sempre amigo dedicado… E quero traga n’alma a lealdade, que o culto da … Ler maisSonho de moça

Na tarde triste cor de opala…

Há um desalento enorme na tarde triste cor de opala! Tudo é silêncio, a terra dorme! No entanto, ao longe, exul magoado, na curva do caminho, o campanário chora… E a voz do sino, vale afora, vai soluçando de mansinho! É tão tristonha a tarde de ouro! Engano! A tarde é alegre… triste é a … Ler maisNa tarde triste cor de opala…

Confissão

Essa mulher que tiranizo e insulto e que das más paixões de dona acuso, talvez nem já mereça o ralho estulto com que humilhá-la em meus rancores uso, Porque se o coração, medroso, ausculto, quer tenha hodierno o amor, quer em desuso, sinto que é dela um misterioso vulto que o ser me habita e … Ler maisConfissão

O sino

Ontem, à tarde, o sino lá da ermida anunciava com suas gargalhadas, que Inês, trazendo flores perfumadas, estava aos pés do altar agradecida… Hoje, esse mesmo bronze, em prolongadas notas, nos diz que Inês, na flor da vida, veio então dar-lhe o adeus da despedida num caixão, entre rosas orvalhadas. Ó sino que tanges alegremente, … Ler maisO sino

Do baile ao sonho

Palavras grandes, luzes, sons de piano e vertigens de clássicos violinos!… Esvoaçam risos de mulher, divinos, nesse ambiente – meu gozo e meu tirano De uma valsa me deste a eterna graça… Eras tão leve, assim toda de gaze, tão leve eu era que pensaram quase sermos um par de florida fumaça… Depois, ao fim … Ler maisDo baile ao sonho

Memórias do Largo São José

No Largo de São José naquele tempo passado, havia tourada até no velho quintal do Prado. E o Sinhô fazia teatro com o Juvenal de Faria; pintavam o diabo a quatro com roupas de sacristia. De repente, de mansinho, chegava o Padre Miguel e encontrava o Bastiãozinho na mala – sorte cruel! Descia a bengala … Ler maisMemórias do Largo São José