Galanteio

Beijo-te as lindas mãos com que me feres… as lindas mãos com que me feres beijo… E entre os desejos meus, eu só desejo ter a vaga ilusão de que me queres… E é só. E é tudo. Enquanto se puderes, acolhe com um sorriso, o meu cortejo. Já não me iludo ao ver-te qual … Ler maisGalanteio

À tardinha

Cássio Rezende, Jornal Sete Dias (extinto), 15 de dezembro, 1968 Adejava no ar uma andorinha que os insetos voláteis perseguia. Ora subia mais, ora descia, bafejada das auras da tardinha. Tanto voou que foi se uma peninha, que em lugar de baixar, sempre subia, e para reavê-la se esvaia, pois a pena, subindo, não lhe … Ler maisÀ tardinha

A lusa língua

Cultivo e amo a língua portuguesa, língua do amor, idioma da saudade! Em que ora verto o pranto da tristeza, E ora gargalho o som da alacridade. Plena de graça, estuante de riqueza, toda esplendor, toda suntuosidade, freme e palpita, em vibrações acesa, língua do amor, idioma da saudade! Há nela o encanto verde da … Ler maisA lusa língua

A volta do Imperador

Cento e cinquenta anos depois de sua inesquecível passagem pela terra natal do comandante de sua guarda, o imperador Pedro I, saindo novamente do Rio de Janeiro com destino a São Paulo, voltou a fazer uma parada na Vila Nossa Senhora do Bom Sucesso. O lugar já não era mais uma vila mais continuava Pindamonhangaba. … Ler maisA volta do Imperador

A garça exilada

De asas cortadas, sobre um tarso erguida, a nívea garça, triste como um pariá, contemplativa, imóvel, solitária, sonhar parece n’uma extinta vida. Indiferente à alegre, à mundanaria turba que passa na afanosa lida, – Na pátria azul do sonho, entorpecida, revê talvez a pátria imaginária… Junto do lago assim os dias leva: À noite quando … Ler maisA garça exilada

Ternura

Passa os teus dedos vagarosamente por meus cabelos… indolentemente… esses dedos de rosa e de cetim. Fita-me assim, numa ternura ardente, no abandono infinito de quem sente o desmaio do amor… assim… assim… Fruindo essa carícia langorosa, tenho a louca ilusão de que sou bem feliz! Vejo a vida virente, venturosa, vejo o mundo encantado, … Ler maisTernura

Taça Maldita

Esse que vês na rua alcoolizado, como o palhaço a que a plateia acena, não causa às turbas impassíveis pena. É uma vítima imbele: cumpre o fado. O pai bebera tanto, e o desgraçado pega impulsivo a taça que envenena, parte aos pedaços, ruge como hiena! Pulsa-lhe o coração acelerado. Jorra, às vezes, o sangue … Ler maisTaça Maldita

Lembranças Literárias: Junho

Junho que trazes tuas noites frias enfeitadas de estrelas e luar… Que lembras festas, cantos e alegrias que as tradições nos fazem recordar… Junho – mês das fogueiras crepitantes, das bombas e foguetes soltos no ar, dos balões coloridos dos amantes sertanejos que dançam a sonhar… Junho – passado que se faz presente a revolver … Ler maisLembranças Literárias: Junho

Beijo de amor

Beijo de amor! Delícia esmagadora! Vibras nas almas, de paixões ardentes, como os divinos frêmitos ridentes da terra, em flores, quando rompe a aurora! Beijo de amor! Beijo mortal, embora! É deste mundo o mais feliz dos entes quem te colhe nos lânguidos, trementes e rubros lábios da mulher que adora… Supremo enleio, comunhão bendita, … Ler maisBeijo de amor

Teus olhos

Teus olhos terníssimos, tão vagos… dois sóis lassos morrendo lá distante , são mais doces que os beijos, que os afagos, da lua argêntea, pelos céus errante… Esses teus olhos são dois mudos lagos, onde percebo entre o esplendor vibrante, uns longes de tristeza em seus divagos, um céu de amor em sonhos , delirante … Ler maisTeus olhos

Outono

Se te encontrasse um dia, nesse instante eu te dissesse o que a nenhuma digo. Frases comuns de amor: ‘sonhei contigo’, ou ‘não posso viver de ti distante…’ Se fosses uma estrela cintilante por uma noite azul de um luar amigo, vendo as sombras atrás e a luz adiante, eu diria? Basta, e nem prossigo! … Ler maisOutono

Alma solitária

O vento melancólico e cruel geme por entre os galhos morimbundos, e seu pranto é amargo como o fel. E o vento a chorar… Chora amargo o vento. Suas rajadas rasgam sem piedade as entranhas do bosque agonizante. E as folhas mortas dançam junto ao vento, que alucinado açoita e varre o bosque. Os galhos … Ler maisAlma solitária