Renúncia

Os olhos marejados em manso pranto, a alma mergulhada em dor profunda, no lacerante tormento da renúncia grito o teu nome, e fujo da lembrança. Grito o teu nome, e fujo da lembrança como fugindo de uma coisa louca, escondo o eu magoado em solidão que mata, resisto a tudo que a ti me transporta. … Ler maisRenúncia

O canário

Quando a noite nos céus se desarvora E a madrugada nasce alvinitente, Modula meu canário a voz canora, Talvez chamando a companheira ausente Ao seu cantar se ajunta ardentemente, A falácia que embala os tons da aurora, E ele, em delírios, canta o amor que sente Mesmo lhe sangre o coração que chora. Mas quando … Ler maisO canário

A Alma

Andava tranquilamente pelo florido jardim contemplando as estrelas tão serenas, jorrando luzes brilhantes no imenso céu, quando uma bela e apetitosa jovem de branco passou por mim. Ela, loura de olhos verdes, ofuscava as próprias estrelas. Seu corpo sinuoso, sensual, voluptuoso e garrido, fremeria de prazer e desejo o mais sincero dos maridos. Ela passou … Ler maisA Alma

Ressurreição

Egito… ao povo de Deus, escravizado sob o vil chicote do faraó maldito, o feliz sonho de liberdade era delito ao triste hebreu, no deserto acorrentado. Mas, o fado olha o filho desgraçado, e o grande pesar, na areia do Egito… Aos níveos pés de Moisés, o Santo Mito, em júbilos, por Deus é transformado. … Ler maisRessurreição

Boa resposta

– Bastarde, Dito Machado, Cumo vai passano intão? – Cumo véio inscangaiado, e ocê, cumpadre, vai bão? – Vô ino… e vim por mandado do fio do nhô Bastião, qui anda inté quagi pestiado, sô de amô, só de paxão… – E venho c’o incumbimento de pidi im casamento, pra ele a mão de Zezé… … Ler maisBoa resposta

Numa vereda solitária…

…ela passeia. De alma satisfeita, canta e caminha, balouçando os braços. E a fina relva da vereda estreita vai beijando a leveza de seus passos. Vai descuidosa. Nem sequer suspeita que meus olhares – sátiros, devassos – Vão-na seguindo, vão sonhando, à estreita, beijos de fogo, noturnais abraços… quando ela passa, à margem do caminho … Ler maisNuma vereda solitária…

Duas Pérolas

Veio uma gota do céu e disse à gota de pranto: “- Que vale teu doce encanto, comparado com o meu? Eu venho d’entre vapores celestes do firmamento, trazer vida e alento às suavíssimas flores.” E com sarcasmo profundo disse a lágrima sem pejo: “- Eu, com a esperança rejo as sagradas leis do mundo, … Ler maisDuas Pérolas

Glória

Que importa a mim o louro do renome, ter aureolada a fronte encanecida. Bem pouco vale o que nos vale a vida, se pelo tempo tudo finda e some. Que importa a imortalização do nome no pétreo fuste em letras esculpida… É tão rara uma glória merecida, que depressa entre as outras se consome. Que … Ler maisGlória

História de um lenço

Eu vou contar uma história que é verdade, não é lenda. É a história de um lencinho todo enfeitado de renda. Ainda me lembro tão bem… foi um dia no cinema, quando me achava a teu lado, as luzes se apagaram e o lencinho foi roubado. Duas vezes fui ladrão: – roubei-te um beijo da … Ler maisHistória de um lenço

traz hoje uma curiosidade da Pinda antiga. Para os amantes do truco, ou truque, popular jogo de baralho muito praticado no Brasil, trazemos um poema humorístico encontrado no extinto jornal local Folha do Norte (edição 1º/5/1904), assinado por Nhô By . O poema é a prova de que na Pindamonhangaba do início do século XX esse jogo já era muito apreciado, principalmente pelos caboclos.

Truque na roça – Chupa truco essa porquera! E diga por que não qué!… Mecê já feis a primera, agora eu fico no pé. – C’o esta eu mato esse treiz, e mecê veja o que fais; meta o doizinho de veiz, que no fim fecha o meu áis. Êta mundo!… ai – vem mania?! … Ler maistraz hoje uma curiosidade da Pinda antiga. Para os amantes do truco, ou truque, popular jogo de baralho muito praticado no Brasil, trazemos um poema humorístico encontrado no extinto jornal local Folha do Norte (edição 1º/5/1904), assinado por Nhô By . O poema é a prova de que na Pindamonhangaba do início do século XX esse jogo já era muito apreciado, principalmente pelos caboclos.

Tuba de Eros

Eu a esperava, trêmulo. Em redor o silêncio rondava. Entardecia. Febril por lhe beijar a boca em flor, a esperá-la, meu Deus, como eu sofria! Em vão o meu olhar indagador pela deserta estrada se estendia… – De vez se fora Apolo abrasador, – Vesper, no céu da tarde, refulgia. Desesperado, em minha dor arfando, … Ler maisTuba de Eros