MADAME FILÓ

O ritual se repetia em todas as manhãs. Antes de ir para o escritório o marido fingia beijos carinhosos e ela acreditava. Depois dos beijos ele fechava a porta e ela ia espiá-lo pelas frestas da persiana. Precisava ter certeza de que não voltaria, pois não queria correr risco de ser flagrada retirando a mala … Ler maisMADAME FILÓ

PASTEL DE CARNE

Ele era um vigilante sanitário incorruptível, temido por aqueles que tentavam burlar a lei. Por isso, colecionava ameaças, mas em momento algum amansava a caneta. Seus dias eram compridos, penosos, estafantes. Somente removia o estresse quando chegava em casa e pegava Bichano no colo. O angorá ronronava cheio de dengo. Outro dia, chegou mais cedo, … Ler maisPASTEL DE CARNE

TIQUINHO DE NADA

O fato aconteceu durante as férias, em um verão longínquo. Um amigo me convidou para irmos ao litoral flertar lindas mulheres. Recusei, dizendo que não tinha um real no bolso, que ficaria para outra oportunidade. Ele me convenceu dizendo que assumiria todos os gastos. No dia seguinte, já estávamos num quiosque à beira-mar, bebendo cerveja … Ler maisTIQUINHO DE NADA

FAMÍLIA DE VITRINE

Os olhos do menino maltrapilho assediavam vitrines natalinas comsonhos inalcançáveis. A barriga roncava. A mãe o abandonara para viver com o traficante do morro. Com apenas seis anos, aquele fiozinho de gente tinha que se sustentar engraxando sapatos. Naquele dia não conseguira nenhum cliente. Engraxate era profissão quase extinta. Só lhe restava ir para debaixo … Ler maisFAMÍLIA DE VITRINE

CASO DE POLÍCIA?

Havia pouco tempo que se mudaram para o bairro, na rua onde moro. A mulher de cabelos longos, cheirosa de perfumar quarteirões, corpo escultural espremido no shortinho ou despreocupadona minissaia esvoaçante, deveria ter uns vinte e cinco anos. Para ser sucinto: morena de parar o trânsito. Ele era um quase fisiculturista. E isso basta. Nos … Ler maisCASO DE POLÍCIA?

CREDIÁRIO

Sempre achei difícil comprar o presente que superasse ou satisfizesse a expectativa de minhas namoradas. Nunca fui bom nisso, é verdade. Mas me esforçava: gastava o que podia e o que não podia na vã esperança de, pelo menos, receber um elogio. Talvez eu tenha escolhido namoradas insensíveis, materialistas, insaciáveis, que sempre queriam mais e … Ler maisCREDIÁRIO

O OLEIRO INVEJOSO

Em um indeterminado reino havia vários oleiros e, entre eles, aquele que se especializou em criar pequenos e belíssimos vasos. Por serem magníficos, tornaram-no muito conhecido. O nome do oleiro era Señor Arcilla: profissional caprichoso, perfeccionista, cheio de talento. Antes de colocar as mãos no barro, passava dias e noites elaborando o formato de cada … Ler maisO OLEIRO INVEJOSO

O PÃO DO AMOR

Naquele 24 de junho de frio glacial, fui convidado para uma festa junina na roça, na região da Serra da Mantiqueira, do jeitinho que gosto. Gosto das festas juninas com barraquinhas onde vendem arroz doce, bolo de milho, pé de moleque, quentão e tantas outras delícias. Gosto daquelas que têm fogueira, pau de sebo, correio … Ler maisO PÃO DO AMOR

Tolices do Amor

A primeira vez que a vi foi na feira livre. Escolhíamos maçãs quando nossas mãos elegeram o mesmo fruto e, inevitavelmente, se tocaram. Por uma fração de segundos me fitou, enrubesceu. Apressou-se em completar a dúzia sem cuidar da escolha. Pagou e deixou a barraca. Fiquei extasiado com a beleza daquela mulher que parecia ter … Ler maisTolices do Amor