Vanguarda Literária : A BUSCA DE SI MESMO

Por José Valdez de Castro Moura

Walt Whitman, escritor norte-americano, ao refletir sobre a vida, escreveu:
“Ó navio imortal, navio do corpo e da alma, navegando”, em consonância com as idéias de Ruth Montgomery, ao considerar o nosso viver um grande barco enfrentando as procelas do Eu e do mundo externo, quando publicou, em 1971, a sua monumental obra: “A World Beyond”.
Certamente, como intelectual da melhor estirpe, o escritor referia-se à vida, ao velho questionamento sobre a existência. E, quando pensamos na existência, na ânsia de conhecer-lhe a origem, (de onde vim?) e seu destino (para onde vou?) observamos que, de filósofos a pensadores religiosos, há o desejo incessante de dar resposta a esse mistério, seja em Igrejas, seja em meditação nas mais longínquas e ermas paragens do nosso planeta.
Entretanto, todos nós, dificilmente buscamos as respostas no interior do nosso ser, na luz aurifulgente que é o nosso núcleo espiritual habitualmente denominado de alma.
Há um receio de escutar a voz de Deus – Pai nessa viagem para o interior com a finalidade de dar o verdadeiro significado para o nosso viver. É imperioso entender que esse “navio de corpo e alma” precisa estar navegando (“Navegar é preciso, viver, não!”, já escreveu o poeta Fernando Pessoa), livre das procelas dos condicionamentos sociais, dos valores distorcidos que se apoderam de nós, nessa longa caminhada que empreendemos enquanto estivermos no nosso planeta. Ela tem início a partir do grito do nascimento ao último suspiro de nossa efêmera vida carnal, uma vez que há continuidade, palmilharemos uma nova estrada sem os espinhos do orgulho, menos pedregosa, na qual poderemos contemplar as flores do bem – querer e sentir o agradável perfume das rosas da concórdia e da paz.
Munidos da grande energia que emana de Deus (que só é justiça e amor) , pois ele nos transformou em centelha divina, caminharemos com mais segurança, pois sempre é bom lembrar o escritor alemão Goethe ao publicar “Novas Baladas” em 1769: “O poder do próprio Deus deve estar dentro de nós. De que outro modo as coisas divinas poderiam nos deliciar?”
É por demais importante saber que essa viagem em procura do auto-conhecimento implica em atitude de extrema humildade: renúncia aos valores materiais, morais e intelectuais enraigados dentro de nós, ouvir mais do que falar, reconhecer as nossas limitações.
E, reconhecer limitações e deficiências é um processo doloroso, mas é condição ”sine qua non” para crescer no sentido espiritual. Tenho a impressão de que os eruditos, os que têm algum saber acadêmico encontram mais dificuldades para percorrer esse caminho, possivelmente devido à onipotência da sua formação.
Quantas vezes encontramos exemplos edificantes de humildade em seres simples, de pouca instrução, talvez porque não estão atrelados a preconceitos e aos fortes valores ditados pela sociedade consumista em que vivemos, na qual se aprecia a dualidade: PODER E TER a estabelecerem um forte domínio sobre as pessoas originando angústias, desespero e impotência. Isto porque se associa o conceito de felicidade ao PODER – TER, relegando a um segundo plano o SER MAIS. Ora, quando ansiamos SER MAIS ocorre um restabelecimento do contato da alma com Deus e o homem torna-se “religioso” (religião não traz na sua raiz o conceito de “religar-se“?). Nesse momento, aprende-se que um outro momento existencial está por vir, com um sentido mais transcendental, e, passamos a compreender o que representa a atual existência.
Cremos que o importante é dar o primeiro passo: enfrentar o fantasma interior, auscultando a voz interna, aclareando aspectos da personalidade que nos mantêm atados às ilusões terrenas, indo em direção ao próximo, reatando relacionamentos saudáveis, para que seja menos difícil a dura jornada existencial a percorrer.

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