Vanguarda Literária : A POESIA DE ERNESTO TAVARES DE SOUZA

Por José Valdez de Castro Moura

Entre os nossos Poetas-Acadêmicos, seu nome ocupa lugar de relevo, quer pela filosofia que derramou em cada verso, quer pelas qualidades ancoradas na consciência que ele teve da alta missão da Poesia: ERNESTO TAVARES DE SOUZA.
Elliot ,na abertura do seu livro dedicado a Dante, escreveu: “A sensibilidade posta a salvo de si própria e conduzida para a ordem, torna-se um princípio de perfeição”. É esta sensibilidade atenta à disciplina que marca a Poesia do estimado vate, como ele nos mostrou de maneira cristalina nos tercetos finais do soneto:

ANA MARIA.

Meu amigo, ela é tudo o que me resta,
quando a tenho trêmula a sorrir,
o céu e a terra se fundem em festa…

Que cantem tão belo amor no porvir,
que murmurem nos campos as giestas,
até Deus assombrado há de ouvir…

Há na Poesia de ERNESTO TAVARES a “beleza aflita”como afirmava o grande Cassiano Ricardo,”aquela que se inquieta face ao destino do homem, ou que traduz sua angústia, seu anseio por um mundo melhor”. No seu cantar,o nosso Poeta-Acadêmico representou a figura de um novo homem que renasceu pra espalhar as sementes do bem, no período em que esteve no mundo dos mortais.
Como Poeta, ERNESTO TAVARES agradeceu o tempo da alegria e o sábio fel das provações, a sentir a nuvem da esperança flamejando em meio à noite, aguardando o instante da certeza, sorvendo as belezas da inspiração na taça do lirismo inebriante, como podemos apreciar nesse soneto fenomenal:

EUGENIA MARIA

EUGENIA MARIA. O teu sorrir fulgura
a ardentia das amazonas ancestrais;
em tua sombra crepitam os meus ais,
tudo em ti é sombra…é loucura.

Em teus lábios pressinto a mistura
dos anjos puros, das bruxas infernais…
Só um romano… em festas vulcanais
suportaria sereno a tanta tortura.

Sou o mártir; -és o patibulo em chamas,
ó inferno, Eugenia, não é mera fantasia,
aos teus pés a Sibéria se inflama.

O gelo da morte virá um certo dia
só restarão as saudades desse trama:
o teu poeta, e tu…EUGENIA MARIA!

Eis, em rápidas pinceladas esse Poeta de Linguagem incomum (certamente influência da Poesia de Augusto dos Anjos, o Poeta paraibano que marcou época), com acentuado teor clássico, onde se aprecia o seu conhecimento de mitologia grega.
Ave, ERNESTO TAVARES, ser humano que guardou consigo a certeza de que o olhar de Deus vigia o seu espírito, que, certamente refulge ao sol, transposto o umbral das duras provações…

 

  • Poeta trovador e sonetista Ernesto Tavares de Souza (1939 – 2005)
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