Lembranças Literárias : A Seca

Chora a campina o fenecer das moitas,
que o sol dardeja com volúpia ingente.
Aves famintas esvoaçando afoitas,
fogem da luz abrasadora e ardente.

Sumiu do espaço madrigal aroma,
que as auras sopram no floral dos campos.
Não tem a aurora aquela luz que assoma,
com brilho intenso de fulgor mais amplo.

No céu; à noite não se vê esteleiro;
tudo está seco, tudo está nublado;
denso mormaço pelo vale e outeiro…

Seca a pastagem, lamentoso o gado;
do astral silente se escondeu o cruzeiro,
braços de fé deste Brasil amado!

Tito Cardoso, jornal local Folha do Norte (extinto), 8 de junho de 1908

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