Vanguarda Literária : A TROVA EXCELSA E VITORIOSA

Por José Valdez de Castro Moura

* O autor é médico, mestre e doutor pela USP, professor universitário, Magister ad Honorem da Universidade de Bolonha, e Professor Visitante das Universidades de Bonn, Munique, Colônia e Berlim (Alemanha). Professor Convidado da Universidade de Paris V (Sorbonne)

A nossa cidade, nos dias 25 e 26 de junho de 2016, viveu um grande culto e exaltação à PALAVRA e à POESIA. Pelo 26º ano consecutivo, realizaram-se as festividades alusivas ao XXVI CONCURSO INTERNACIONAL/NACIONAL/REGIONAL DE TROVAS e do XXII JUVENTROVA. Referimo-nos a um dos mais tradicionais e disputados concursos no gênero da poesia de quatro versos, redondilha maior, que contou com a participação de trovadores-poetas do Brasil e de Portugal, além de centenas de jovens das nossas escolas e até de cidades vizinhas.Tudo isso num louvável labor que incluiu: solidariedade, participação e comprometimento.
Inicialmente, queremos destacar o apoio inconteste da municipalidade, por meio do prefeito Vito Ardito Lerario que, ao longo dos anos, sempre incentivou e prestigiou o nosso trabalho, trabalho esse, que, a bem da verdade, contou com o apoio e prestígio dos demais chefes do Executivo, durante todos estes vinte e seis anos. Como esquecer o trabalho coeso e incessante da Secretaria de Educação, dos departamentos de Cultura,Turismo, Comunicação, Biblioteca Pública Rômulo Campos D´Arace, e da nossa centenária Tribuna do Norte?. Nesses dias, a comissão organizadora se esforçou ao máximo. Foram marcantes e emocionantes o envolvimento da Secretária de Educação – professora Cidinha, e do diretor de Cultura – psicólogo Afonso Barone e sua maravilhosa equipe (ah, Paulinha, doce Paulinha!!), do Departamento de Turismo (Rebeca e Fábio, sempre solícitos e incansáveis) da bibliotecária-chefe Fátima Siqueira e do trovador-jornalista-poeta Altair Fernandes de Carvalho à frente do Juventrova, auxiliado pelo notável trovador Maurício Cavalheiro.
Trovadores de altíssima estirpe, nomes lendários e históricos da Trova Brasileira e da UBT-União Brasileira de Trovadores disseram SIM à nossa convocação. Estiveram em nossa amada Pindamonhangaba: Domitilla B. Beltrame – presidente nacional da UBT; Arlindo Tadeu Hagen – vice-presidente nacional da UBT; J.B.Xavier, secretário nacional da UBT,Carolina Ramos -vice-presidente do Conselho Nacional da UBT; Selma Patti Spinelli – presidente da UBT- Estado de São Paulo e da Cidade de São Paulo.Tudo correu impecavelmente bem: presença maciça de jovens, dos queridos professores que trabalham a trova, de trovadores vindos do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
No domingo, dia 26, no almoço de encerramento, foi julgado o Concurso Interno com o tema IGREJA DE SÃO JOSÉ (sugestão do Departamento de Cultura), cujo vencedor foi a trovadora Selma Patti Spinelli, com esta bela Trova, um verdadeiro grito pela conservação e salvação da nossa tradicional igreja que abriga os restos mortais de filhos de Pindamonhangaba que integraram a Guarda Imperial de D.Pedro I, presente no Grito do Ipiranga:

“São José, na sua essência,
quantos exemplos nos traz;
por isso eu peço clemência:
– que deixem a Igreja em paz!”

Vinte e seis anos de muita dedicação, trabalho, noites insones, ansiedade, em prol da TROVA! E, valeu a pena, porque “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”como já escreveu o grande poeta lusitano Fernando Pessoa. Abrimos a nossa Bíblia de Agradecimento a todos que estiveram conosco nessa caminhada. São tantos! É impossível citá-los nesse curto espaço de jornal. A todos, saúdo, genuflexo, na pessoa excelsa da Professora Helena Groh de Castro Moura, grande companheira, esposa e amiga, onipresente, sem cujo apoio e incentivo, nada seria possível. O grande Trovador, padrinho da nossa UBT- o Magnífico-Trovador Izo Goldman, de saudosa memória, em uma correspondência para mim, escreveu: “Estamos com excesso de bons versejadores em trovas e carência de trovadores, que são aqueles que nem precisam escrever trovas, trazem consigo a essência do trovador que é TRABALHAR pela Trova.Trabalhar pela Trova é divulgá-la, promovê-la, plantar sementes (caso do Juventrova) e prosseguir indiferente às vozes da inveja e da discórdia, dos que nada fazem, são portanto, meros versejadores que se afogam nas águas da vaidade, do orgulho vazio, do egoísmo, nada constroem, tentam desqualificar o trabalho dos outros, porque são de pequenez de alma, incompetentes, e serão esquecidos”. Tudo indica que o Mestre tinha razão. Para eles, sem sombra de dúvidas, devemos ter um verdadeiro sentimento de piedade e rezar a oração de São Francisco, nosso padroeiro.
A trova segue altaneira mundo afora para o bem da Cultura Brasileira!
E… viva Pindamonhangaba! Viva a trova!


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