Vanguarda Literária : ADOLESCÊNCIA E O CONTEXTO FAMILIAR

Por José Valdez de Castro Moura

Os estudiosos da evolução dos seres sabem que, quanto mais elevada for a espécie, tanto será mais prolongado o tempo que os pais cuidam da sua prole. Entretanto, em nenhuma espécie animal, pais e filhos permanecem juntos durante a vida toda, pois, estes se tornam independentes e vão ganhar a vida.
Na espécie humana entram em cena vários fatores, visto que, ao amadurecimento físico que é prolongado (haja vista que se empregam 25% da vida nesse processo, enquanto no nosso parente mais próximo, no símio, são utilizados 14,2%), sucedem elementos que dizem respeito à Cultura, à Educação, à Tradição, cuja continuidade, segundo a célebre antropóloga Margareth Mead, deve ser assegurada pelo contexto familiar.
Com o advento do processo adolescente várias adaptações, transformações, se fazem presentes não só na estrutura familiar, como na sua dinâmica,uma vez que, a familia passa de unidade protetora da criança, para ser o centro decisivo no preparo para a entrada no mundo adulto, quando ocorrem, na nossa sociedade atual, tantos conflitos traduzidos no tão conhecido conflito generacional. E, quando principiam essas transformações? Muito possivelmente no começo da puberdade que envolvem mutações corporais intensas, como se não bastassem as que se processam nos campos psicológico, mental e social.
Vivemos hoje num mundo muito complexo, em que a adolescência exige cada vez mais autonomia e independência, originando demandas muito fortes que dão ensejo a reativação de problemas psicológicos, conflitos não resolvidos entre os pais, e, estes, por sua vez, com situações conflituais remanescentes de uma adolescência problemática e não resolvida. E, aumenta a temperatura nesse “caldeirão”: pais analisam a sua própria adolescência e os pais da sua adolescência, e, junte-se a isso, o fato de se encontrarem num momento existencial em que contemplam a meia-idade, o que significa reavaliar o casamento, a carreira profissional, e a pensar na sua finitude. De um lado, portanto, vemos as mulheres –mães, nos dia de hoje, sendo multifuncionais: mãe, cuidadora de filhos e do marido, administradoras, educadoras, psicólogas, etc., e, de outro, um homem – pai, muita vezes questionando a liberdade que renunciou para assumir atividades laborativas e sustentar uma família. Esse homem, algumas vezes, ao se depararem com os filhos jovens, em ascenção (aumentando o vigor físico,enfrentando desafios para a formação profissional,buscando realizar sonhos), podem ter a impressão horrível de que o tempo passou, pouco realizaram, a profissão chegou ao máximo ou a mesma já entrou em declínio. E, haja conflito e insegurança! É bom que se diga: esses pais passam por momentos difíceis. Já pensaram o que é a sensação do ninho vazio? Os filhos sairam do lar, qual passarinhos, alçaram vôos em busca dos seus ideais! Esses pais necessitam, muitas vezes de ajuda para fazê-los entender a importância de assumir novos projetos, reorganizar a vida, sem dependência econômica ou emocional dos filhos, e ter a consciência tranquila de que deixaram raízes que possibilitam razões para o retorno e motivaçãos para que seus filhos fiquem em coexistência pacífica, salutar e agradável com eles. A literatura na Área de Adolescência é rica em descrever o mundo adolescente com suas transformações, conflitos, a famosa SÍNDROME DA ADOLESCÊNCIA NORMAL. E, como ficam os pais dos adolescentes?

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