Lembranças Literárias : Alma solitária

O vento melancólico e cruel
geme por entre os galhos morimbundos,
e seu pranto é amargo como o fel.
E o vento a chorar… Chora amargo o vento.

Suas rajadas rasgam sem piedade
as entranhas do bosque agonizante.
E as folhas mortas dançam junto ao vento,
que alucinado açoita e varre o bosque.

Os galhos nus se agitam contra o céu
acizentado nubloso e entristecido…
E esse vento implacável a chorar…

O vento que a chorar a tudo açoita,
o bosque sem ninguém, frio, deserto,
apenas são minha alma solitária.

 

Luiz Gonzaga S. Marcondes, jornal Tribuna do Norte , 21/7/1963

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