História : Anos 20, o despertar de uma “Princesa”

Por Altair Fernandes Carvalho

Na edição de 15 de maio de 1921 do jornal Tribuna do Norte vamos encontrar, em artigo de primeira página com o título Laboremus (trabalhemos), um comentário referente à situação do município no ano de 1921. Algo conformada com o fim dos áureos tempos do café, títulos nobiliárquicos e monarquia, a Princesa do Norte finalmente despertava para o progresso republicano.
O articulista inicia seus escritos com um parágrafo que nos lembra a obra Cidades Mortas, na qual Monteiro Lobato ataca o marasmo econômico e literário de cidades do Vale do Paraíba pós os ricos tempos da produção cafeeira: “A bela cidade de Pindamonhangaba, cuja opulência tanta fama teve em outros tempos, antes das evoluções rápidas por que tem passado o país, viveu nestes penúltimos anos numa pesarosa inércia e entregue aos azares de uma vida tristíssima.”
A “vida tristíssima” era por conta da falta de recurso próprios. “Sem poder agitar-se, em completa decadência a nossa querida Princesa do Norte parecia querer desaparecer, devorada pela miséria”, destaca o redator. E referindo-se ao êxodo de alguns pindamonhagabenses em busca de melhores oportunidades, revela: “Seus filhos mais dedicados abandonaram-na, porque naturalmente precisavam progredir e de certo a opulenta cidade de outrora não lhes proporcionava os meios para isso.”
Haviam partido “em busca de outras terras, onde a fortuna e felicidade lhes sorriam e onde a esperança lhes acenava, apontando-lhes um futuro mais encantador”. Ali, haviam ficado “os que a amavam, os que nutriam desejos de vê-la ressurgir, os que desejam levantá-la do torpor e da inércia em que jazia.”
Incluindo-se entre aqueles que haviam permanecido em Pindamonhangaba, ressaltava o redator: “Aqui ficamos nós, sempre de sentinela, esperando o momento propício para reerguê-la, para fazer da Princesa encantadora (porque sua pobreza e sua decadência não lhe tiraram o encanto), a rainha excelsa; e lutando contra o indiferentismo e o pessimismo de poucos e tresloucados invejosos, tivemos fé no futuro.”

O ressurgimento
E dias melhores haviam chegado. Prosseguindo em seu patriótico pronunciamento em página da Tribuna do Norte, rejubila-se o escritor: “Não nos enganávamos – Pindamonhangaba ressurge, vem novamente colocar-se entre as suas irmãs do Norte (aqui, referia-se às cidades vale-paraibanas localizadas atualmente em região denominada Cone Leste Paulista) e com certeza tomará o seu lugar de honra!”
Falava do progresso que, dizia, há poucos anos batera às portas da formosa cidade e entrara triunfante.
Cita a seguir, que por todas as ruas e nos arrabaldes erguiam-se construções, opulentos ou modestos prédios. Sobre a luz elétrica destaca: “… por toda parte os fios que atravessam as suas ruas denunciam que aqui percorre a luz com a rapidez do raio”. Sobre os meios de comunicação exalta: “…o telégrafo e o telefone espalham, como a voz da fama, as notícias rápidas”.
A educação é reverenciada: “por todo o município funcionam escolas; o grupo escolar (fala da escola Dr. Alfredo Pujol) e a Escola de Farmácia e de Odontologia (a primeira faculdade de Pinda) estão repletos de alunos”. Detalhando que no Grupo Escolar “preparava-se a infância para a luta da inteligência no futuro; na Escola de Farmácia, “…a mocidade estudiosa – esperanças de nossa pátria, prepara-se para as lutas da vida, em busca de um ideal.”
Sobre a lavoura (era a principal economia) diz que aumentava-se admiravelmente, “o lavrador cava a terra e vê recompensado depois o seu trabalho, sua riqueza se eleva e ele sente-se alegre e satisfeito porque tudo progride”.
A onda de progresso verificava-se em todos os setores da economia. “as pequenas e grandes indústrias marcham progressivamente, o operário multiplica seus haveres porque o trabalho aumenta-lhe o salário. O comércio marcha também acelerado, já não sente cansado de socorrer a lavoura e a indústria que outrora jaziam inerte”, comenta o redator.
Progresso, fruto
do trabalho
Era Pindamonhangaba ressurgindo, reapareciam as suas gloriosas tradições e seu nome era pronunciado com mais satisfação. Para o articulista da Tribuna, o motivo do sucesso do município era o trabalho de seus dirigentes, aqueles que haviam a tomado sob a sua guarda. Aqueles que tinham protestado reerguê-la e para isso, trabalhavam muito, “porque sabiam que o trabalho vence tudo.”
Concluindo o artigo, o jornal assim conclamava os trabalhadores para a continuidade do progresso da Pindamonhangaba que renascia: “Continuemos a grande obra encetada por esses que fizeram ressurgir a nossa terra; continuemos a trabalhar com ardor e perseverança; continuemos a imitar os exemplos das gerações passadas que tanto souberam elevar e glorificar a nossa terra; continuemos unidos a lutar para que a terra de Bicudo Leme continue a ser a princesa avante, fazendo-a caminhar altiva como dantes num mar sereno de rosas, sob este céu tao belo, iluminado pela simbólica constelação que a protege e a ampara.”

  • Trecho da rua Bicudo Leme, onde se concentrava o comércio nos anos vintes
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