História : Caxias foi hóspede do cel. Manuel Marcondes de Oliveira e Mello

Por Altair Fernandes Carvalho

Luís Alves de Lima e Silva ainda era barão de Caxias quando, a exemplo
do imperador Pedro I , se hospedou no sobrado dos Marcondes

Vinte anos depois de haver hospedado o príncipe Pedro I, na passagem do dia 21 para o dia 22 de agosto de 1822, os irmãos, coronel Manuel Marcondes de Oliveira e Mello (barão de Pindamonhangaba) e monsenhor Ignácio Marcondes, receberam, no dia 16 de julho de 1842, no sobradão da praça Formosa (atual praça Monsenhor Marcondes), o barão Luís Alves de Lima e Silva (o título de duque ele receberia em 1869).
Tal como fora com o imperador, tratava-se de um hóspede ilustre, ainda que o momento, igualmente histórico, não fosse de orgulho para os pindamonhangabenses como naquele ano de 1822. O clima era de derrota. Sorocaba e Itu já haviam capitulado, assim como os outros municípios favoráveis à Revolução Liberal de 1842. Pindamonhangaba, que tinha participado do lado dos liberais, tendo o monsenhor Marcondes na liderança, não teve outra decisão mais sensata que a de também capitular, evitando derramamento de sangue. Não se discutia a supremacia das tropas governamentais. Consta em Athayde Marcondes (Pindamonhangaba Através de Dois e Meio Séculos, 1922) que houvera um acordo entre Caxias e o monsenhor (ver edição da TN de 22/5/2005).

O hóspede e as cartas intrigantes
Na revista Ilustração Brasileira, edição de abril de 1925, com o título Duque de Caxias (curiosidades biográficas), Alfredo Balthazar da Silveira, assim descreve a estada do barão Luís Alves de Lima e Silva em Pindamonhangaba como hóspede do monsenhor Marcondes:
“…Seguindo-se, depois, para Pindamonhangaba, o grande Caxias aceitou hospedagem na casa do monsenhor Ignacio Marcondes de Oliveira Cabral, que nunca escondera as suas simpatias pelo movimento revolucionário. Durante a sua permanência naquele solar, recebeu o grande Caxias uma série de cartas anônimas, contendo acusações contra o dito monsenhor Marcondes e outros vultos da sedição paulista, os quais, aos olhos dos seus detratores, estavam concertando uma cilada contra o valoroso soldado.
“Tais cartas, depois de lidas, foram guardadas num móvel do aposento em que estava o grande Caxias, e cujas chaves, nas vésperas do seu embarque para a Corte, foram entregues ao monsenhor Marcondes de Oliveira Cabral, que não pode esconder a sua grande admiração por um gesto de tão requintada generosidade.”

A demolição do
histórico sobrado
O histórico sobrado dos Marcondes localizado nas esquinas da Deputado Claro Cesar com a rua dos Andradas, foi demolido em 1940 para no local ser construído o estabelecimento comercial “Casa Dois Irmãos” (atualmente ali funciona outro estabelecimento comercial).
Em artigo publicado na Tribuna de 18/8/1963, Balthazar de Godoy Moreira conta que foi na sala de fora, na do canto, em cima, que D. Pedro I entrou em contato com os moços de Pinda que deveriam acompanhá-lo na histórica jornada”.
Conta também que a entrada para o sobrado era pela Deputado Claro Cesar, subindo por uma escada de dois lances, em ângulo reto. Possuia cinco janelas em cada andar voltadas para o largo (depois praça), com vidraças de guilhotina e quadrinhos de vidro.
“Deve ter sido o sobrado mais luxuoso de Pinda, na época em que foi edificado. Perdeu depois para os outros, erguidos nos tempos áureos do café; mas foi, sem dúvidas, o mais glorioso da cidade”, registra em seu artigo o poeta Balthazar.
“Em outro país o prédio seria conservado como uma relíquia, um marco na estrada percorrida pelos proclamadores, na cavalgada da independência”.

O velho coronel
No artigo, Balthazar define o coronel Marcondes como um homem rijo e franco, dos quais que não mandam dizer e fazem pé firme nos seus princípios. “Foi ele o gentil homem da história que, sentindo-se traído nas convicções liberais pelo governo, protestou mandando rapar o bigode – morreu de cara rapada”, revela.

Monsenhor e
político
“O irmão do coronel Marcondes era mais culto e maneiroso. Era o cérebro da dupla. Moravam juntos, entendiam-se, completavam-se. Daí a incontestada proeminência do sacerdote de Pindamonhangaba – menos sacerdote que político – no Vale e na província. Foi deputado provincial e geral em cinco legislaturas”, complementa.
Em 1863, segundo Athayde Marcondes, foi homenageado com seu nome denominando a praça defronte ao seu sobrado: Praça Monsenhor Marcondes!

  • sacerdote e político Monsenhor Marcondes
  • “Em outro país o sobrado seria considerado uma relíquia”, Balthazar de Godoy Moreira.
  • uma das fase de demolição em 1940
  • O sobrado dos Marcondes em foto de 1867
Desenvolvido por CMC Multimídia
Tamanho da fonte
Modo Contraste