Vanguarda Literária : CHICO FRÔ: UMA ETERNA LEMBRANÇA

Por José Valdez de Castro Moura

Em noite memorável, há alguns anos, o competente e dinâmico acadêmico Dr. Piorino Filho, então presidente, grande mestre da “terra do saber e da aptidão”, empossou na nossa APL- Academia Pindamonhangabense de Letras o professor Augusto César Ribeiro, nacionalmente conhecido com o epíteto de “Chico Frô” devido as suas atuações memoráveis nos filmes do inesquecível cineasta patrício Amâncio Mazzaroppi.
O estimado professor Augustinho Ribeiro (como afetuosamente o chamavam seus conterrâneos e amigos), exemplar chefe de família, educador, poeta e declamador emérito ao se tornar Membro Efetivo (vitalício) da APL sucedeu uma mulher marcante, poetisa de brilhante trajetória, a autora do “Parabéns a você”: a inesquecível Bertha Celeste Homem de Mello. A correria da minha agitada vida, sobretudo nas lides universitárias, impediram-me de estar presente naquela noite memorável de posse e abraçar um bom amigo, homem de fino trato que sempre me brindou com generosas palavras de incentivo plenas de fraternidade e apreço.
Chico Frô foi um apaixonado por tudo que dizia respeito a Pindamonhangaba! Foi um trabalhador da arte, e a sua história de vida mostra uma fecunda e multifária atividade de homem e sobretudo de verdadeiro poeta que encontrou o seu “locus social” com dignidade e respeito mercê do seu amor às causas que abraçou na nossa sociedade infelizmente cada vez mais materialista e cruel na qual são relegados a segundo plano os valores espirituais.
O estimado professor Agostinho Ribeiro, com a alma feliz, naquela noite de merecida glória, deve ter proferido como Santo Agostinho: “É por minhas preces, eu sei, e por isso dou meu testemunho, sem hesitação, que Deus me deu este pensamento de por acima de tudo o conhecimento da verdade, de nada querer, nada refletir, nada amar, senão a verdade”.
Homem religioso (o filósofo alemão Shopenhauer já frizou que “O homem além de ser social é um animal religioso”), o bondoso Chico Frô, genuflexo, tenho certeza, falava ao Senhor: “Obrigado por não ter fome nem frio; obrigado porque a alma me alimenta de esperança e o coração me aquece de ventura!”.
Chico Frô, a quem a Divina Providência concedeu alma de poeta e o destino dos mestres, e permitiu que cantasse na voz dos sinos, no tumulto das ruas, no clamor do trabalho, razão porque permanecerá vivo “ad laetissimos annos”, como diriam os latinos, no coração do povo da terra que não o esquece, a nossa querida Pindamonhangaba (decantada com maestria pelo nosso Poeta Maior – Balthazar de Godói Moreira) , para quem a sua voz cheia de inspiração, simples e pura como a água que desce das montanhas, certamente declamou um dia: “Minha cidade querida, de legendária bravura, tristes são os que passam indiferentes à tua história e não vivem o teu destino de heroísmo!”
O Divino Pai permitiu que Chico Frô nos ensinasse a bendizer as trevas, porque sem elas a luz perderia a sua função e não teria sentido; que não devemos desprezar a ignorância de onde o saber se levanta, como o som rompe o silêncio.
Reverencio o saudoso professor Augustinho Ribeiro, ser nobre que nos mostrou a beleza de alimentarmos a esperança de ver um mundo mais feliz, de homens sem ódios, crianças e jovens com semblantes sorridentes e que devemos cultivar terras e ciências, máquinas, flores e canções enternecidas de amor! Saudades, Chico Frô!

  • Augusto César Ribeiro (1928/2003)
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