Construindo Cidadania – Qual o legado das empresas para o voluntariado?

Vivemos tempos modernos, para uns, tempo melhor, mais fácil, para outros a modernidade traz muitas complicações.
Uma das grandes complicações que vejo, não sei se é boa ou ruim, só estou apontando-a, é a preocupação de todos em querer saber o fundamento, a causa, a origem, de tudo. Não existe mais uma conversa jogada fora, sem uma razão para existir, tudo e todos (generalizando, mas sabendo que existem exceções) querem, o porquê?
Está ficando chato viver nesta sociedade moderna que para tudo, tem que existir uma causa.
Sou do tempo que não, significava exatamente, NÃO. Simples assim.
As pessoas, isso eu acho bem legal, cada vez mais buscam fazer coisas na e para sua vida deixar um legado, para o planeta, para os filhos, para onde trabalha, não importa para quem, mas querem deixar uma marca, não importa também o tamanho desta marca.
Sempre que sou chamado para conversar com dirigentes de empresas para falar sobre os porquês de construir e dedicar esforços e investimento para um programa de voluntariado, digo que o maior legado que as empresas podem deixar, não é um trabalho bem feito para uma causa especifica, mas sim a influência que podem ter sobre seus colaboradores para uma consciência mais cidadã, maior preocupação com a sociedade, mais cuidado com o meio ambiente, mais respeito e pratica da ética.
Esse legado não tem valor para muitas empresas, mas é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, pois são essas atitudes que serão inseridas nas casas dos colaboradores e seus filhos terão isso como exemplo e repercutirão isso nas escolas tornando-se uma corrente do bem, sem que saibamos onde terá parada.Já ouviram falar do tal “efeito borboleta”, é isso, praticamos a solidariedade aqui, sem saber onde os efeitos dessa atitude poderão chegar.
As empresas ainda relutam um pouco há ter isso como um legado, ainda estamos no tempo dos números, da visibilidade, do trabalho mais físico para se fazer perceber a ação, mas esta ação mais conceitual, sem um roteiro tão definido pode ser, no meu entendimento, muito maior e mais abrangente do que todas as citadas juntas.
Sei que o jogo está em andamento e nossa geração tem que mudar as regras sem que paremos de jogar, pois é fundamental que o jogo não pare para que os avanços até agora conseguidos possam ser duradouros.
E nós pobres mortais o que temos que fazer? Incentivar as empresas que trabalhamos, que somos fornecedores, das quais somos clientes a ter esta preocupação de forma mais presente e visível, para mais uma vez nós, a sociedade, sermos os beneficiários deste legado. Cada uma fazendo sua parte para um mundo melhor.

 

 

– Roberto Ravagnani (palestrante, jornalista, radialista e consultor para assuntos de voluntariado e responsabilidade social empresarial. Voluntário como palhaço hospitalar há 17 anos, fundador da ONG Canto Cidadão, consultor associado para o voluntariado da GIA Consultores para América Latina e sócio da empresa de consultoria Comunidea.)

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