Copa do Mundo: a temporada de colecionar álbum de figurinhas

Antes mesmo do início do Mundial de Futebol, a torcida se volta à caça dos adesivos personalizados

Colaborou com o texto: Dayane Gomes

Cotidianamente, as sombras presenteadas pelas árvores colorem os jardins, bancos e soalhos expostos ao clima tropical. Nos dias mais prezados, os raios de sol caminham ao lado das ondas sonoras do rádio que compõe a música ambiente. E, a cada quatro anos, as brisas do local público refrescam os andantes, à medida que os ventos, vez ou outra, promovem a revoada de pequenos itens de papel pela Praça Monsenhor Marcondes, no centro de Pindamonhangaba. Os artigos sazonais voam carregando consigo imagens e detalhes que remetem a um fragmento tradicional característico de povos futebolistas, como o Brasil, ou seja, a cultura das figurinhas da Copa do Mundo.
A empresa italiana “Panini” lançou o primeiro álbum para coleção de “cartinhas” ilustradas com os jogadores das seleções participantes do mundial de futebol no México, em 1970. De lá para cá, a firma se estabeleceu como a principal de seu ramo e tem a produção média anual de seis bilhões de figurinhas. Sendo que, este número cresce nos períodos em que o campeonato internacional esportivo acontece. No solo brasileiro, por exemplo, a tiragem inicial dos álbuns comemorativos gira em torno de sete milhões de exemplares.
Em 2018, os cromos autocolantes referentes à Copa do Mundo da Rússia começaram a circular no mercado local no dia 29 de março. Na mesma época, Wagner Dias deu início à implantação de um novo negócio em sua experiência comercial. Ele era dono de uma revistaria fixada no centro de Pinda, quando se viu obrigado a encerrar as atividades da loja frente às inconveniências da atual instabilidade econômica no País. “Como eu fechei há um ano por causa da crise, eu aproveitei a oportunidade da Copa. Fui na prefeitura, tirei a licença e montei na praça”, conta o morador do bairro Jardim Yassuda.

Oportunidade financeira

Afinal, Dias resolveu engatar uma singela banca bem no meio do ponto de circulação mais notável da cidade para continuar vendendo os artigos sazonais com a sogra e uma ajudante. Divididas em pastas, separadas por tipologia, etiquetadas e acompanhadas das futuras superfícies em que serão prensadas, as figurinhas ficam, organizadamente, salientes aos olhos dos colecionadores, que podem adquiri-las da forma padrão, com as embalagens com cinco unidades, ou avulsa, escolhendo as disponíveis no acervo do vendedor. Inclusive, Wagner garante que foi o precursor do método “pasta” pelas redondezas pindenses. “Eu que comecei com esse negócio cinco Copas atrás”, pontua.
A comercialização individual na tenda da Praça Monsenhor Marcondes segue os preços estipulados de acordo com a categoria do cromo: “comum”, “estádio”, “Brasil” e “escudo”.“Assim, a pessoa tem a oportunidade de montar o álbum mais em conta. Porque, se você ficar comprando o pacotinho sai muita figurinha repetida. Mas no começo não sai tanta, até 120 pacotes, mais ou menos, compensa comprar”, explica o comerciante que mantém os valores independentemente da raridade e até possui máquina para oferecer a opção de pagamento com cartão de crédito.
Os cálculos de “compensação” do empreendedor levam em consideração que a cartilha da Copa do Mundo da Rússia inclui 682 figurinhas, 42 a mais que a edição de 2014. Além disso, estipula-se que os colecionadores que não substituem os selos repetidos por inéditos devem adquirir cerca de 980 pacotes para preencher o livro, desembolsando R$ 1.956.

Possibilidade de divertimento

“Eu faço coleção desde 2006 e continuei nas Copas seguintes”, menciona Edite Rodrigues da Silva, de 71 anos. A moradora do bairro Lessa aparece como uma cliente fiel de Wagner Dias desde a revistaria e, frequentemente, compra os adesivos personalizados para os dois atuais companheiros de coleção, os netos de oito e 10 anos de idade. Mas, é ela mesma quem tem gosto por completar os álbuns. Tanto que, já existem planos para quando isto acontecer. “Para não parar, vou ajudar minha vizinha da frente”, estipula.
No caso da banca na praça central, os trabalhos têm foco apenas na venda dos “potenciais voadores” e seus respectivos livretos. Entretanto, parte da tradição de juntar as figurinhas envolve a troca entre os torcedores, que nem sempre são fanáticos por futebol. E, ali mesmo, no próprio lugar onde os raios de sol caminham ao lado das ondas sonoras da rádio, se sucede um encontro informal e casual entre colecionadores aos sábados.
“Acho que eu já vim em uns três fins de semana aqui. Geralmente, venho para procurar figurinhas com meus filhos, mas meu sobrinho já procurou com a gente uma vez”, afirma Daniel Siqueira da Silva, focado em conseguir quantidade suficiente de cromos autocolantes entre os oito milhões de pacotinhos produzidos diariamente até 20 de abril pela fábrica da “Panini” no Brasil, localizada em Barueri (SP).

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