Vanguarda Literária : CULTURA POPULAR – ALGUMAS REFLEXÕES

Por José Valdez de Castro Moura

A Cultura Popular remete-nos a identidade de um povo, seja um país ou uma comunidade, compreendida enquanto as relações sociais e de pertencimento que foram construídas e vivenciadas no interior do grupo. É muito interessante notar que, entre os séculos XVI e início do século XVIII, segundo alguns estudiosos, foi vista sempre como forma de manifestação de classes inferiores, dominadas, que transmitiram um passado em extinção, simbolizando sempre o atraso, o antigo,o que restou.
Havia a ideia de que o povo era uma classe rude, simplória e inculta. Permeava esses pressupostos a crença na superioridade da denominada cultura “civilizada” dos povos europeus, enquanto os povos de localidades distantes, em especial os camponeses, os “miseráveis urbanos” eram o resquício selvagem.Não esqueçamos que o Estado sempre entendeu as manifestações populares como ameaça,organizando este uma Ideologia Nacional priorizando a elaboração da Cultura Oficial dentro de comportamento padrão, principalmente a manifestação da Língua Nacional e eliminando outras línguas e dialetos. Olhando por esse prisma, a entenderemos o que aconteceu com os nossos índios, donos da terra,com o advento da catequese impiedosa e cruel que, aniquilou, sem piedade, as manifestações consideradas pagãs e contestadoras, consideradas perigosas para o equilíbrio e estabelecimento do poder. Dessa maneira, vamos compreender que as Igrejas (católica e protestante) e o Estado, em nome até da Unidade Nacional perpetraram nos seus discursos ideológicos e na sua prática, crimes contra os povos “desprovidos de saberes” no dizer da filósofa Marilena Chauí.
O saber do intelectual interessa ao Estado visto que estabelece normas, condutas e representações. Esse saber dominante das elites passa a desprezar o saber popular instituído, num discurso fundamentado nos pressupostos necessários à manutenção de seu estado de dominação e hegemonia como já foi colocado anteriormente. Para amenizar a situação, os estudiosos das tradições populares passam a ser denominados de folcloristas (folk e lore – “saber do povo”). Pura ironia!!!
Outro ponto de extrema importância é que, a Cultura Popular, no seu processo evolutivo,em especial, pela alfabetização crescente e as informações fornecidas pela imprensa, nos últimos tempos, sob a influência do trabalho urbano e costumes da vida moderna, deu um salto qualitativo. Nesse contexto, os movimentos que trazem consigo as tradições populares, utilizam-nos como instrumento de luta. Há uma reação à dita padronização de Cultura Universal, que tentou sempre homogeneizar eu que é heterogêneo, sendo a Cultura Popular entendida como expressão de luta e de contestação pela conquista de Direitos à Cultura, à diferença à autodeterminação. Cultura popular, portanto, tem um sentido mais amplo, ao invés de ser mera catalogação de costumes e de tradições populares.

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