História : Curiosidades dos cemitérios de Pindamonhangaba

Por Altair Fernandes Carvalho

No período anterior à existência do cemitério municipal os sepultamentos eram feitos nas igrejas. Esta prática ficou proibida mediante uma lei municipal datada de 12 de janeiro de 1830, criada por indicação do presidente da Câmara, que não era outro senão o coronel Manuel Marcondes de Oliveira e Mello: comandante da Guarda de Honra de Pedro I no episódio da Proclamação da Independência (1822); Barão de Pindamonhangaba (1846) e Barão com Honras de Grandezas (1848).
A proposta da Câmara era para que se fizesse um cemitério “fora da Villa”, ou seja, fora da região central. Segundo Athayde Marcondes (Pindamonhangaba Através de Dois e Meio Séculos – 1922), a demarcação coube ao padre Francisco de Oliveira Carvalho e ocorreu em 27 de novembro de 1830, na localidade denominada Alto da Lagoa e “com frente em linha reta para o largo da Matriz”. Para se ter uma ideia da localização desse cemitério nos dias atuais, visualizemos a área compreendida entre as instalações da estação da antiga Central do Brasil, a praça Barão Homem de Mello e parte do terreno ocupado pela escola Dr. Alfredo Pujol.
Cemitério do Alto
da Lagoa
Avaliando o local de sua instalação, percebemos que mesmo para aquele tempo o cemitério ficou mesmo foi na área central do município e não como prevenira o velho comandante da guarda do imperador. Quanto ao fato da localidade ser conhecida antigamente por Alto da Lagoa, a explicação vem de notas históricas que se referem àquela região como alagadiça, cheia de brejos. Os subterrâneos daquele lugar devem abrigar muita água, pois antigamente os alagamentos eram comuns até nas proximidades da praça Monsenhor Marcondes, num espaço então chamado de Praça X (foi assunto da página de História da Tribuna, edição de 27/7/2007).
Conta Athayde: “Em 27 de outubro de 1835 é inaugurado o cemitério novo, sendo sepultados três cadáveres”. Causa-nos estranheza o fato dessa inauguração ter ocorrido somente cinco anos após sua demarcação (teria sido por falta de óbitos?). Também é curioso o adjetivo acrescentado por Athayde, por que “novo”, não era então o primeiro? É oportuno relembrar que os sepultamentos nas igrejas só eram realizados mediante o pagamento de uma taxa.
Cemitério do Alto
do Tabaú
O “Alto da Lagoa” foi cemitério (com brejo e tudo) até o ano de 1863. Em 1864, o presidente da Câmara (ressalte-se que Câmara queria dizer Prefeitura, pois o chefe do Legislativo tinha atuações de prefeito), que era o Dr. Miguel Monteiro de Godoy, escolheu outro “alto” para os sepultamentos, o novo (aí, sim, novo) cemitério foi construído no Alto do Tabaú (e ali se encontra há 154 anos).
Conforme Athayde, a planta desse cemitério foi feita pelo arquiteto amador Francisco Antonio Pereira de Carvalho, o Chiquinho do Gregório (foi assunto da página de História da TN na edição de 20/4/2005). “Foi inaugurado em 13 de outubro de 1864, de acordo com as determinações do ritual de Paulo V, pelo então coadjutor desta paróquia, padre Tobias da Costa Rezende, com a presença da Câmara, autoridades, povo e música”, cita Athayde, registrando o pitoresco e irônico fato de Chiquinho ter morrido três dias depois e ironicamente ter sido o primeiro a ali ser sepultado.
Dois Franciscos e Carvalhos demarcadores de cemitérios
A história dos cemitérios de Pinda traz pelo menos mais dois fatos curiosos, não menos interessantes. Um é o de que o cemitério do Alto da Lagoa foi demarcado pelo padre Francisco de Oliveira Carvalho, o do Alto do Tabaú por Francisco Antonio Pereira de Carvalho, ambos Franciscos e ambos com sobrenome Carvalho. O outro uma ocorrência que também teve seu lado irônico, a do velho coronel Oliveira e Mello, autor da proibição de sepultamentos em igrejas, ter sido sepultado, 33 anos depois, numa igreja, na capela de São José. Não por sua vontade, mas por conta da homenagem póstuma destinada aos pindamonhangabenses membros da Guarda de Honra de Pedro I que estiveram naquele brado retumbante às margens do Ipiranga.
Cemitério do
Santíssimo
É também de Athayde o registro sobre o surgimento do cemitério do Santíssimo Sacramento (funciona juntamente com o cemitério mu-nicipal). Consta em seu livro que “a Irmandade do Santíssimo havia requerido e obtido da Câmara, os terrenos para a construção da capela do cemitério”, e que “fora o vereador, capitão José dos Santos Moreira, em sessão de 27 de maio de 1864, quem havia indicado para que fosse cedido o terreno pedido”. Esse cemitério foi inaugurado em 1865, para sepultamento de irmãos do Santíssimo Sacramento (porém, isso não foi regra sem exceção).
A Irmandade do Santíssimo Sacramento foi fundada em 1740; reorganizada em 1809, novamente em 1882 e depois em 1922, quando se encontrava à beira da extinção.

  • O cemitério do Alto do Tabaú (Cemitério Municipal, na foto) completou 143 anos no dia 13 de outubro. Sua planta é considerada o derradeiro trabalho do construtor (arquiteto) Francisco Antônio Pereira de Carvalho, o Chiquinho do Gregório, responsável por inúmeras construções em Pinda (Palacete Visconde da Palmeira, Palacete Tiradentes, reforma da Matriz etc)
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