De casa cheia

Em apresentação de show na região, Fábio Rabin fala à equipe da Tribuna do Norte

Na chegada ao teatro um cartaz indicava que os ingressos estavam “esgotados”. Do lado de fora, uma fila gigantesca, à esquerda, formada pelos que precisavam trocar o voucher (compra pela internet). À direita, em uma fila tão extensa quanto a primeira, estavam os que compraram o ingresso pessoalmente nas lojas participantes.
Através das portas de vidros era possível ver o comediante conversando tranquilamente com os organizadores do evento – o show de Stand Up Comedy “Tô viajando”.
A expectativa era grande.
Quando as portas do teatro se abriram, o público procurava se acomodar rápido para não perder um segundo sequer da cerca de 1h15 minutos que duraria o show – tempo informado pelo próprio comediante após breve introdução do espetáculo.
Formado em Relações Internacionais e em Teatro, Fábio Rabin começou sua carreira despretensiosamente, fazendo shows em bares de São Paulo e hoje, firma-se como uma das grandes referências da comédia nacional (com shows internacionais também).
A receita? Talento, técnica, experiência e simplicidade. E foi nessa postura que ele conversou com a equipe do jornal Tribuna do Norte.
O também humorista, Júnior Guimarães, do “Tapa Olho Experimental”, prestigiou o show e disse que achou sensacional. “Muito bom mesmo! E não esperava menos que isso, porque o Rabin é referência em Stand Up Comedy. Dessa ‘nova leva’ de humoristas, ele é um dos precursores. Ele tem um humor ácido e ao mesmo tempo leve e peculiar. Eu me diverti muito”.
Com organização da Joy Produções, a apresentação ocorreu no Teatro Metrópole, em Taubaté, no dia 4 de maio.

 

Tribuna do Norte: Fábio, como tudo começou?
Fábio Rabin: Sou formado em Relações Internacionais, e comecei a fazer teatro mais por indicação da minha irmã, que é atriz, e descobri, em cena, uma facilidade para a comédia. Toda cena que eu fazia, as pessoas acabavam rindo. Um dia, eu ouvi falar que existia Stand Up e resolvi me arriscar naquele show. Eu comecei a fazer e percebi que cada vez mais o Stand Up ia ficando mais forte do que os outros números. Então eu decidi: vou fazer só isso!

TN: Quem escreve as suas piadas? Você tem uma equipe de roteiro?
Rabin: Sou eu mesmo quem faz o roteiro. Eu me baseio em tudo o que acontece durante a semana: desde Globo News até Mídia Ninja, por exemplo. A proposta é fazer piadas mesmo.

TN: Com essa onda de “humor politicamente correto” tem algum assunto que você teve receio em abordar?
Rabin: Não. Eu só elimino uma piada se ela for ruim. Essa é a minha preocupação. Não o assunto em si, mas a piada. Eu acredito que quando a piada é mais engraçada do que ofensiva, a gente acaba tendo a “justificativa” para falar sobre o assunto.

TN: Ainda em relação ao conteúdo das suas piadas, você nunca pensou que podem te achar machista ou homofóbico, por exemplo?
Rabin: Quando eu sento para escrever uma piada, eu penso apenas na piada. Eu não sento para ‘passar uma ideia’ ou um conceito. Neste caso, eu acabo ‘zoando’, digamos assim, quem tem a ver com a lógica da piada, não é pessoal ou partidário. É o que eu tendo fazer de melhor: ‘fazer humor’. Até porque, eu não sou professor, não sou filósofo, eu sou comediante e preciso fazer as pessoas rirem. Claro que, a partir do momento que as pessoas riem da piada, elas acabam refletindo depois sobre o que ela riu, e aí, cada um tem uma forma de assimilar isso.

TN: Você tem hoje um público fiel e grande. Você já se deu conta disso? Como chegou a esse patamar?
Rabin: Eu também faço muitos shows para públicos que não vêm para me ver. Como por exemplo, o público corporativo. Alguns são proprietários de companhias áreas que não me conhecem e se eu não fizer uma boa piada, serei apenas mais um. A gente tem que conquistar essa pessoa. Temos que conquistar todos os públicos. O grande desafio de se fazer comédia é que ‘não existe jogo ganho’, todo dia algo pode te ‘derrubar’. É preciso ficar esperto e melhorar sempre.

TN: Você tem alguma dica para alguém desse meio que está começando?
Rabin: Para leitura eu indico o livro “Stand-up Comedy: The Book”, da Judy Carte; e livros do Constantin Stanislavski, que são duas bases excelentes de pesquisa e de boas sugestões. Também é necessário estudar bastante; ficar atento ao que acontece em sua volta; fazer teatro ajuda muito; e ir para os grandes centros como, São Paulo, por exemplo.

  • Júnior Guimarães, do "Tapa Olho Experimental", em selfie com Fábio Rabin
  • Com o teatro lotado, humorista fez o público se divertir e interagir com o espetáculo
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