Vanguarda Literária : DIÓGENES E CINISMO

Diógenes de Sínope (Sínope 404 AC – Corinto 323 AC) foi um filósofo da Grécia antiga, discípulo de Antístenes, que foi discípulo de Sócrates. Fez da pobreza sua extrema virtude, possuindo apenas um alforje, um bastão e uma tigela. Morava num tonel ou barril e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina durante o dia, dizendo estar à procura de um homem honesto. Para ele, a virtude era demonstrada na ação e não na teoria; criticava a sociedade corrupta, monetarista, ambiciosa e procurava o ideal, denominado cínico, de viver.
Mas, o que era cinismo, em termos filosóficos? “Kynos” em grego significa cão, cachorro, e “Kynicos”, o modo de viver como cão, em total despojamento, sem bens. Então, cinismo é essa filosofia do desapego, da autossuficiência, da liberdade, fidelidade e do autodomínio.
Não é sem motivos que se diz que o cão representa a fidelidade para com o homem. Daí entendermos porque o cachorro sempre foi o animal mais próximo de nós. E, possivelmente, o mais útil!
Evidentemente que, como gênio, ele olhava séculos à sua frente, e, possivelmente foi o primeiro homem a pregar o cosmopolitismo ao afirmar: “Eu não sou ateniense nem grego, sou cidadão do mundo!”.
Há muitas histórias sobre esse cínico (no sentido filosófico), entretanto, para mim, a mais emblemática é a que se refere ao diálogo dele com Alexandre Magno da Macedônia. O Imperador ao vê-lo muito tranquilo no seu barril, perguntou se poderia fazer algo que o beneficiasse, ao que o sábio respondeu: “Sim, podes sair da frente do meu sol”. Conta a lenda que Alexandre ficou tão impressionado com o desprezo de Diógenes pelos bens materiais que soltou o seguinte comentário: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes”.
Portanto, refletindo sobre esse filósofo, nos seus ensinamentos, notamos o quanto ele é atual. Sabemos que a sociedade moderna, cada vez mais atrelada aos valores econômicos, mais consumista e materialista, mesmo assim infeliz, em crise, caminha para a sua autodestruição, a não ser que mude de foco, procure ser um pouco mais cínica, no sentido que tentei explicar.
Pensando bem, há gente que sequer tem um barril para morar, como Diógenes, e vive embaixo das pontes ou sob as marquises, não em função de escolha, como o filósofo em pauta, mas em consequência da miséria, fruto da ganância, da injustiça dos que se locupletam com as benesses do poder. E essa situação tem que mudar, antes que a Civilização Ocidental pereça!

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