História : Djanira Salles, trajetória de uma campeã

Por Altair Fernandes Carvalho

Esta ‘Folha do Dr. João Romeiro’, secular jornal Tribuna do Norte, que sempre destinou espaço à memória e resgate de nossa história, tem a preocupação de também relembrar outras personalidades que devido a importantes feitos, igualmente já fizeram elevar o nome desta princesa para outros cantos, outras paragens, em um passado não tão distante.
A página de hoje é dedicada a Djanira Salles, uma atleta muitas vezes campeã que presta serviços ao município na área esportiva integrando a equipe da Semelp – Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da Prefeitura de Pindamonhangaba – Governo Isael Domingues, como professora de Educação Física.
Aniversariante desta quinta-feira, ela nasceu a 13 de abril de 1974, filha de dona Jandira Pereira e de seu Dionysio Salles. Numa combinação de letras dos nomes dos pais, dos quais ainda desfruta a feliz convivência, foi batizada Djanira! Essa pessoa solidária e focada no bom desempenho de suas metas, compromissos e responsabilidades, proporcionou ao jornal Tribuna o agradável bate-papo que se segue:
Jornal Tribuna do Norte – Djanira você é pindamonhangabense de qual belo canto desta ‘cidade princesa’?
Djanira Salles – Coincidentemente, sou do Bosque da Princesa! Nasci e morei no nº 141 da praça Cornélio Lessa. Ali fui criada e fiz os primeiros estudos nas escola públicas mais próximas: Lar São Judas Tadeu e no tradicional estabelecimento de ensino de Pinda, o Instituto de Educação João Gomes de Araújo (atualmente, escola técnica). Sou do tempo do ‘cursinho’, curso primário que o então Instituto de Educação mantinha anexo e deu origem à Escola Estadual João Martins de Almeida.
TN – Quando você concluiu o nível superior, habilitando-se em educação física pela Universidade de Taubaté, foi a realização de um sonho?
Djanira – Quando menina o meu sonho era ser dentista para trazer sorriso às pessoas, mas em meu trabalho como habilitada em educação física também busco proporcionar um sorriso de satisfação pela meta alcançada às pessoas que se conscientizaram da importância da prática esportiva para a saúde física, emocional e moral. Além de atuar na parte administrativa da Semelp, trabalho a natação com a população interessada, faixa etária de 7 aos 107 anos (riso!)… sem limites!
TN – Então para essa esportista, atleta desde menina, a área esportiva acabou sendo a área à qual se entregou de corpo e alma?
Djanira – E de coração!… Depois que me formei em 1998, fiz pós-graduação em educação física e cursei Administração Pública Municipal pelo Cepam/Centro Paula Souza. Sempre vi a necessidade de estudar não só para me qualificar profissionalmente, mas para crescer enquanto pessoa. Isso me faz recordar do meu primeiro curso de inglês. Quando eu estava com 15 anos mamãe trabalhava de faxineira na escola Yázigi, sabendo do meu interesse ela conseguiu uma bolsa de estudos para que eu fizesse o curso. Já adulta estudei a língua espanhola no Callan e, se pudesse, me aprofundaria no estudo de outros idiomas.
TN – Isso comprova a sua qualificação para o exercício profissional em posição de liderança nessa área, mas agora passemos à fase recordações. Afinal, despertar reminiscências, contar a história, é função principal de nossa página semanal.
Djanira – Minha carreira de atleta comecei nesta terra querida há pelo menos três décadas. Era o ano de 1983 quando passei a integrar a seleção pré-mirim de vôlei, com a inesquecível professora Lenita Tavares, irmã do professor José Antenor Tavares França, o Nonoi. Os treinamentos eram no Ginásio de Esportes Professor Manoel Cesar Ribeiro, popularmente mais conhecido como Quadra Coberta. Lembro-me com carinho de dona Ana, na época servidora pública municipal cuidadora desse ginásio, até hoje ainda é.
TN – Além da professora Lenita, quais foram os outros professores que, recorda, foram essenciais no início de sua caminhada no esporte?
Djanira – Passei também pelo professor Carlos Magno e pelo casal de professores que representa o voleibol de Pinda, Maria Helena e Alfredo Una.
TN – O que a levou a trocar o vôlei pela canoagem, modalidade esportiva que de semelhança só tem a exigência de muita força nos braços?
Djanira – Morando próximo ao Bosque da Princesa, conheci a canoagem com o eterno mestre Lauro Akiyama, em 1988. No início eu praticava apenas para melhorar meu condicionamento físico, mas fui me envolvendo pela sensação de liberdade e contato com a natureza. Os ensinamentos de Lauro na canoagem eram baseados em disciplina, dedicação e organização. A formação de meu caráter e valores como atleta foi moldada com ele. Passei a dar mais de mim à canoagem, acabei trocando bola e rede por remo e caiaque. O vôlei é que passou a ser uma prática que me servia pra descontrair e relaxar.
TN – Dessa época em o esportista Lauro Akiyama, presidente e fundador da Apicano – Associação Pindamonhangabense de Canoagem treinava e formava atletas para a canoagem brasileira nas águas do Paraíba, guarda alguma recordação especial?
Djanira – As mais doces, as mais ternas… Lauro encantou o município, o estado e o país com os caiaques coloridos e uma equipe de mais de cem remadores…
TN –Esse jornal traz em seus arquivos matérias sobre as conquistas da Apicano (merece também uma página com sua história) e registra que as primeiras atuações de Djanira na canoagem já foram positivas. Relembre suas conquistas na Apicano.
Djanira – Como canoísta da Apicano fui convocada a integrar a Seleção Brasileira de Canoagem indo remar por águas distantes. Participamos de competições que levaram o nome Pindamonhangaba à Argentina, Áustria, Bélgica, Chile, Cuba, Espanha, França, México, Venezuela, Uruguai e Itália. No Brasil, deixamos um rastro de vitórias e conquistas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. Djanira conquistou para Pindamonhangaba diversos títulos estaduais, nacionais e internacionais como, campeã dos Jogos Sul-americanos em Caracas -Venezuela, em 1994. Foi a primeira mulher a conquistar um título Internacional da canoagem: campeã sul-americana na Argentina, 1989.
TN – Em uma matéria que fizemos com você no início de sua atuação na Apicano, ao ver que aquela meninazinha morena e seu caiaque se completavam num só elemento, tal era o envolvimento e comprometimento visando os bons resultados, nos inspirou o título “Djanira, uma canoísta com jeito de Iracema e destino de campeã” …e fomos felizes. Felizes com suas conquistas aqui, acolá e além. Porém, chegou o dia em que Djanira deixou de competir, deixando uma lacuna na canoagem e nos pódios… Quando foi isso?
Djanira – Foi em 1998, depois de uma década praticando a modalidade. A dedicação ao esporte eu nunca abandonei. Quando parei com a canoagem comecei a dedicar mais tempo ajudando atletas da cidade a obterem bolsas de estudos por intermédio do trabalho da Faep, o Fundo de Apoio Esportivo de Pindamonhangaba. Pessoas dedicadas, competentes e competitivas como a Verônica no atletismo, o Vagner na natação, o Luís Bondioli no basquete, o Lucca bissoli no vôlei e muitos outros.
TN – Para concluir, um breve perfil da Djanira hoje…
Djanira – Sou servidora pública municipal da Prefeitura de Pindamonhangaba desde 1993, quando a convite do professor Marcelo Mora ingressei como estagiária. Tenho como meta e objetivo servir a população com respeito e transparência, com amor e dedicação à profissão escolhida. Do esporte e das atividades físicas nunca me afastei. Pratico mountain bike, natação, corrida e yoga .
Casada com o Marcelo e mãe do Rafael, 10 anos, atualmente moro no bairro Goiabal numa rotina comum, como toda cidadã: família, trabalho, esportes e lazer. No Goiabal participo de um projeto social, o Projeto Crescer, e da comunidade Rosa Mística. Tenho Jesus Cristo como ídolo maior e exemplo. Gosto de ser útil e de experimentar a gratificante sensação da consciência tranquila ante ao dever cumprido.Um abraço a todos e obrigado Tribuna pela oportunidade proporcionada!

Djanira, a aplicada menininha aluna do Cursinho; com o repórter Chico de Paula em entrevista às margens do Paraíba; em uma de suas participações em competições fora do Brasil; em temporada na europa, cidade polonesa de Walcz; com a amiga servidora pública municipal dona Ana, então cuidadora do ginásio de Esporte Professor Manoel Ribeiro, tendo acima o técnico fundador da Apicano (foi também seu presidente),
Lauro
Akiyama

Djanira com o marido e o filho; com os aluninhos da natação na piscina do ginásio do Cidade Nova; em evento na sede da Fapi – Faculdade Pindamonhangaba com o prefeito Isael Domingues, o ex-canoísta Sebastian Ariel Cuattrin e o secretário da Semelp, Everton Chinachi, e Djanira em uma de suas atuais práticas esportivas, o mountain bike…

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