Vanguarda Literária : DÚVIDA E FILOSOFIA

Por José Valdez de Castro Moura

A experiência filosófica envolve, classicamente, dois processos importantes: o estranhamento do ser perante o mundo e o questionamento. O ato de questionar, estabelecendo portanto dúvidas, frequentemente, possibilitará uma percepção mais profunda, mais clara e sobretudo mais ampla de certos aspectos do nosso processo existencial.
Ter dúvidas é um desejo evidente de se alcançar um conhecimento maior, daí ser relevante, por exemplo, para um (a) professor (a) indagar aos seus alunos, sempre ao término de sua exposição, se existe alguma dúvida .O que ele recebe, em retorno à sua pergunta, muitas vezes é o silêncio,ou, mais raramente, algumas tímidas interrogações. Ficamos a indagar o porquê disso. Ora, muitas vezes existe a dificuldade de expressão do interrogado, que não encontra vocábulos para tornarem as suas dúvidas explícitas, ou o temor de falar em público. Entretanto, há uma fenômeno mais além e de capital importância: o sentimento que existe em determinadas pessoas, muitas vezes inconsciente, de que, ter dúvidas, e, consequentemente interrogar, é expor fragilidade, “falta de conhecimento”, “dificuldade intelectual”, e, para complicar, some-se a isso, o fato de que convivemos numa cultura que valoriza “o parecer inteligente”, “o parecer informado”, então vamos entender porque essas pessoas sofrem ao serem interpretadas como ignorantes, despreparadas, ao se exporem com suas perguntas. Pensemos bem: quando se estabelece uma conversação entre as pessoas, parece que há um enfrentamento de “conhecimentos”, de supostas “certezas”, ao invés de se estabelecer uma via de mão dupla, em que haverá a grande oportunidade de um aprender com o outro e, crescer junto com esse outro. Ocorre então um verdadeiro travamento desse avanço, e, lamentavelmente, constatamos que a aprendizagem ficou relevada a um segundo plano, e colocou-se na frente, na ribalta, a vaidade pessoal, o terrível orgulho, a “ferrugem da nossa alma” como bem pontuou Madre Teresa de Calcutá.
Vivemos um mundo em que o diálogo está cada vez mais difícil, havendo confrontos de “certezas” que nada constroem (não parece ser isso, um dos aspectos dos movimentos grevistas, com “manipulações de verdades”, sem tirar o valor das questões pertinentes à valorização e remuneração justa do trabalho?), e são relegados valores mais nobres do que o real interesse pelo que pensa e sente o outro?
É de suma importância, para se caminhar nas veredas do saber, respeitar quem observa o mundo de uma maneira diferente da nossa perspectiva, porque isso possibilita horizontes de compreensões e de possibilidades. Aprender a filosofar é ter atitudes indagadoras plenas de dúvidas que necessitam de explicações racionais de alguns aspectos do nosso processo existencial, cuja compreensão existente, às vezes, não nos satisfaz, e nos incomoda, tais como: O que é o ser humano? É de sua essência ser bom ou ser mau? Para onde caminhamos? Será que o que realizamos tem realmente utilidade e vem de encontro ao bem?

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