História : Emílio Ribas: Patrono da Saúde Pública do Estado de São Paulo

Por Altair Fernandes Carvalho

Titulo concedido em sua memória em 2012 pelo seu conterrâneo e também médico, governador  Dr. Geraldo Alckmin

A página de história desta edição presta homenagem ao Dr. Emílio Marcondes Ribas (11/4/1862 – 19/2/1925), ilustre filho da Princesa do Norte, cuja memória é mais cultuada em abril, seu mês natalício.
Há seis anos, em 11 de abril de 2012, quando se completavam 150 anos do nascimento do sanitarista, o governador Dr. Geraldo Alckmin, assinava, no auditório do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, o decreto que eterniza seu conterrâneo e colega de sacerdócio (Alckmin foi médico anestesista na Santa Casa de Pinda) como “Patrono da Saúde Pública do Estado de São Paulo”.
“Emílio Ribas dedicou a sua vida à causa de melhorar a vida das pessoas, é um dos nossos heróis, teve uma vida generosa pensando na população”, justificava Alckmin.
No mesmo dia, outro médico pindamonhangabense, o Dr. José Lelis Nogueira (homeopata e especialista em medicina tropical) fazia o lançamento da biografia “Emílio Ribas – O Guerreiro da Saúde”, no auditório do Instituto de Infectologia que também homenageia o ilustre sanitarista em sua denominação.
Lelis, médico escritor membro da APL-Academia Pindamonhangabense de Letras, titular da cadeira nº 7, assim lembrou o homenageado no evento em sua memória: “Um exemplo da sua bondade aconteceu com pacientes de hanseníase, que eram repudiados pela sociedade e Emílio Ribas lutou por eles.”

Emílio Ribas,
o sanitarista

Há 156 anos, no dia 11 de abril de 1862, nascia em Pindamonhangaba, Emílio Marcondes Ribas. Apesar de ser filho e neto de fazendeiros optou por ser médico. Aos 25 anos concluiu curso na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, iniciando uma vida inteira de dedicação ao extermínio de epidemias e endemias em seu estado. Por sua dedicação ao saneamento público foi considerado um dos mais atuantes higienistas brasileiros.
A exemplo de outros perserverantes sanitaristas que atuaram naquelas conturbadas primeiras décadas do século XIX, nem um sucesso obteve sem antes sofrer as injustas investidas dos impertinentes e polêmicos perseguidores.

EFCJ e Instituto Butantan

Seus feitos vão além daquilo que em escritos ficaram registrados, como a construção da Estrada de Ferro Campos do Jordão, ao lado do Dr. Victor Godinho (inaugurada em 15/11/1914). Obra esta concretizada graças à sua convicção de que o clima da serra era propício ao tratamento de tuberculosos.
Ao lado de outro sanitarista, o Dr. Vital Brazil, combateu a peste bubônica. De seus esforços para conseguir o soro contra essa doença é que foi criado o Instituto Butantan, numa chácara do mesmo nome, em São Paulo. Naquele tempo criar cobras numa chácara lhe valeram críticas e intolerâncias. Mesmo assim manteve seu propósito. Suportar o veneno da malevolência e da ignorância já não lhe era novidade. Só não estava ao seu alcance descobrir o antídoto contra esse tipo de peçonha.

Febre amarela

Na obra Modernistas da Ciência – Oswaldo Cruz, lançada pela jornalista Cristina Fonseca (2001), a autora revela: “As pesquisas do médico (Emílio Ribas) sobre a febre amarela, simultânea às do cubano Carlos Finley, das quais Oswaldo Cruz já havia tomado conhecimento, eram também muito avançadas; o médico paulista estava convicto de que a doença era transmitida por um mosquito”.
Por conta dessa certeza, “Emílio Ribas, Adolpho Lutz e mais quatro voluntários haviam se deixado picar pelo Stegomyia Fasciata. Nessa época era comum os pesquisadores inocularem, usando seu corpo para as experiências, porque eticamente só poderiam dispor de um organismo, que era o de cada médico pesquisador. A essa prática a ciência deve a existência dos muitos mártires da medicina experimental”.
“No caso do mosquito da febre amarela, os três primeiros cientistas apresentaram apenas leves sintomas da doença, mas os outros contrairam a moléstia”, relembra a jornalista, acrescentando que “todos os cientistas que participaram dessa aventura arriscada sobreviveram, mas que a experiência foi prova irrefutável para que Oswaldo Cruz se mostrasse implacável na campanha da febre amarela carioca”. Emílio Ribas seguiria os mesmos passos para exterminar a moléstia em São Paulo.
Emílio Ribas também foi responsável pela criação da Seção de Proteção à Primeira Infância e pela Inspetoria Sanitária Escolar, mas suas atuações ultrapassaram as fronteiras do Brasil. Em suas atividades como sanitarista estão registradas participações em congressos e visitas a organizações sanitárias nos Estados Unidos e na Europa, além de haver deixado publicações de imprescindível importância à medicina.

Homenagens
em sua terra natal

O escritor Francisco Piorino Filho cita em seu livro Biografi as (2001), dados completos sobre o Dr. Emílio Ribas. Na mesma obra, conta que o sanitarista recebeu a primeira homenagem em sua terra natal no ano de 1903,quando a Câmara Municipal, presidida pelo Dr. Francisco Romeiro, colocou seu nome em uma praça (a popular Praça São Benedito).
O higienista também foi homenageado com bustos: um se encontra nas dependências da Estrada de Ferro Campos do Jordão; o outro na praça que leva seu nome.
Durante o governo estadual do Dr. Carlos Alberto Alves Carvalho Pinto (1959/1963), seu nome passou a denominar o Posto (depois Centro) de Saúde de Pindamonhangaba. O prédio atualmente abriga a Unidade Básica de Saúde (centro) e o CEM – Centro de Especialidades Médicas Ziza Polônia Saqueti. Emílio Ribas também denomina residencial no bairro do Crispim (construido no final dos anos setentas), e Loja Maçônica (fundada em 1981) no Parque das Nações.
O 1º centenário do Dr. Emílio Marcondes Ribas, em 1962, foi lembrado com um evento realizado de 6 a 11 de abril daquele ano, quando era prefeito o professor Manoel César Ribeiro e presidente da Câmara Lloyd Figueiredo Pereira Rocha. A comissão organizadora das festividades foi presidida pelo Dr. José Benedito dos Santos.
Semana Emílio Ribas

Em 1975, a lei municipal nº 1449, sancionada pelo prefeito João Bosco Nogueira, criou o Dia Municipal da Higiene – o dia 11 de abril com eventos que tinham início nesta data e prosseguiam nos dias seguintes, era a Semana Emílio Ribas. Em 1986, de volta à administração municipal, o prefeito João Bosco Nogueira revogou a lei 1449 e assinou a de nº 2120, unificando as festividades comemorativas às semanas “Emílio Ribas” e a de “Prevenção de Acidentes”, com uma comemoração anual na semana que compreender o Dia do Médico, 18 de outubro. Em 1995, quando vereador, José Lelis Nogueira foi autor de requerimento pedindo que se oficiasse o governador do Estado, era o Mário Covas, solicitação de cumprimento da Lei Estadual nº 4930/85, que institui a Semana Estadual da Higiene e Saúde Pública e Ocupacional, a ser comemorada anualmente também a partir do dia 18 de outubro. Lei esta promulgada pelo governador Franco Montoro a partir de um projeto de autoria do Dr. Geraldo Alckmin, quando deputado estadual.

  • A popular “Praça São Benedito” desde 1903 é denominada praça "Dr. Emílio Ribas". No detalhe, a placa afixada abaixo do busto
  • Prédio da UBS-Centro foi criado como Posto de Saúde "Dr. Emílio Ribas"
  • Emílio Ribas foi um dos revolucionários do conceito de medicina e saúde pública ao lado de Oswaldo Cruz, Adolpho Lutz e Vital Brasil
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