Vanguarda Literária : FILOSOFIA NOS TEMPOS ATUAIS: MAIS DO QUE NECESSÁRIO

Por José Valdez de Castro Moura

O inesquecível escritor português Anthero de Quental afirmava: ‘A filosofia alimenta-se das próprias dúvidas. Duvidar não é só a maneira de propor os grandes problemas; é já o começo da resolução deles, porque é a dúvida que lhes circunscreve o terreno e os define’. Realmente, ela nasceu sob o incentivo da curiosidade e da dúvida para progredir sob o impiedoso influxo da dificuldade de esclarecimento. Deste modo, vamos compreender como é patente e necessário o desejo de ampliar conhecimentos, ver os fatos em perspectiva, sem se perder na profusão de palavras, nem em metafísica desnecessária, por vezes, pedante e sem nenhum efeito prático.
Não podemos perder de vista que, uma das grandes funções da filosofia reside em estabelecer amplo panorama de forma especulativa, ao passo que a ciência, ao ser objetiva, sob a luz da observação, tende a particularizar os fatos, enquanto a filosofia, pela via da subjetivação, caminha, ou procura caminhar rumo à compreensão total de um fenômeno, aqui entendido como algo que se manifesta.
Dizem que vivemos nos últimos tempos um certo “desinteresse” pela filosofia ante os fantásticos progressos da ciência. Mero engano! Realmente, vivemos tempos em que existe o eruditismo super-especializado e longe do humanismo, mas, nunca nos deparamos tanto com especialistas e seres voltados para a interrogação do mundo; nunca se procurou tanto as razões do “ser-aí-no-mundo” como bem colocou o grande filósofo existencialista alemão Martin Heidegger! Interrogamos: para onde ela se inclina? Será para o romantismo ou idealismo platônico de cunho metafísico, ou está antenada com os sérios e angustiantes problemas da existência e coexistência do homem? As lutas ideológicas estão em efervescência! Sempre é bom evocar o filósofo Marco Aurélio, que afirmou há séculos: “Que coisa nos poderá servir de guia? Uma coisa e uma só a FILOSOFIA!”. Não se trata de ter uma concepção essencial e subjetiva do mundo, nem pender para a busca de entender o eterno ignorado. Que sabe, rumamos para atitudes filosóficas da nossa existência no século XXI: que direcionamento dou para o meu mundo, como melhorá-lo, enfim, como viver melhor nesses tempos em que crescem a miséria, a violência entre os povos? Mais do que nunca, se faz necessário pensar. Navegar é preciso!

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