Lembranças Literárias : História de um lenço

Eu vou contar uma história
que é verdade, não é lenda.
É a história de um lencinho
todo enfeitado de renda.

Ainda me lembro tão bem…
foi um dia no cinema,
quando me achava a teu lado,
as luzes se apagaram
e o lencinho foi roubado.

Duas vezes fui ladrão:
– roubei-te um beijo da boca,
roubei-te o lenço da mão.

E depois de tudo isso
tanto tempo se passou,
que, para lembrar a história,
só o lencinho ficou.

E nós dois fomos crescendo,
cada um para um lado.
tu te esqueceste de mim,
eu, de ti fui me esquecendo,
e o lenço ficou guardado…

Um dia o “senhor destino”
transformou a minha vida.
Eu tive que ir embora,
mas na hora da partida,
eu pedi a minha mãe
que guardasse o teu lencinho,
que o guardasse com cuidado,
que o guardasse com carinho!…

Anos depois eu voltei.
Era véspera de Natal.
E depois de receber
o meu beijo maternal,
foi trêmulo de emoção
que abri o velho oratório
para fazer minha oração.

Quando as portinhas se abriram,
vi o Menino Jesus
todo cercado de luz,
com um sorriso contente
no seu rostinho inocente…
O que vi, quase chorei…
Sobre o corpinho sagrado,
estava o lenço bordado,
o lencinho que roubei…

Mas que destino bonito
teve o lenço pequenino:
foi teu, foi meu, de mamãe,
e agora é de Deus Menino!

 

José Benedito Salgado, (jornal Sete Dias, 23 de março de 1952)

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