Vanguarda Literária : LITERATURA CATALÃ

Por José Valdez de Castro Moura

O Catalão é uma língua românica como o português, ambas derivadas do latim vulgar. Falado por mais de 9 milhões de pessoas é a língua oficial de Andorra e, em especial da Catalunha (comunidade autônoma localizada a nordeste da Espanha), comunidade autônoma de Valência e Ilhas Baleares, Catalunha do Norte (França), Faixa de Aragão e Algueiro (Itália). É a vigésima segunda língua, segundo dados da Unesco, mais traduzida para outra língua no mundo. Exemplo de expressões do Catalão: bon dia (bom dia), bona tarde (boa tarde), bona nuit (boa noite), moltes gracias (muito obrigado), a reveure (até breve), e, por essa amostra, já podemos perceber a influência de outras línguas como o espanhol e o francês. É importante ressaltar que durante a malfadada e fraticida Ditadura Franco (1939-1975) várias línguas regionais na Espanha foram banidas, como o basco, o galego e o catalão.
A Literatura Catalã é muito rica. Em 2007 foi homenageada na Feira Internacional de Frankfurt, na Alemanha. Tornou-se mais conhecida no Brasil graças aos esforços do poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto. No ano de 2007 a Lumme Editora publicou uma bela “Antologia de 12 Poetas Catalães”, na qual figuravam vários escritores, entre eles: Mercé Marçal, Adreu Vidal, Jordi Cornudella, Narcis Comandura, Salvador Osia, Pere Gimferrer e Charles Camps Mundó. O maior tradutor da literatura brasileira na Catalunha é o escritor Joseph Domenech Ponsati e o brasileiro Ronaldo Polito é um mineiro que se dedica à tradução de autores catalães.
Entre os Poetas populares mais conhecidos estão Miguel Marti Poli (1929-2003) e Joan Margarit. Particularmente, aprecio muito a poesia de Margarit. Nasceu em 1938 em Sanauja tendo se consagrado como um dos grandes nomes contemporâneos da Literatura Catalã contemporânea. Suas poesias foram traduzidas para o inglês, russo, alemão, hebreu e português. Poeta e arquiteto colaborou para a remodelação do Estádio Olímpico de Barcelona para a Olimpíada de 1992 que se realizou naquela bela e cativante cidade. Publicou várias obras: ”Poesia Amorosa Completa-1980 a 2000” (em 2001) ”Barcelona, amor final” (2007), ”La Dona del Navegant” (1987) e, em 2007, o mais premiado deles: ”Casa de Misericórdia“ com o qual ganhou importantes prêmios: Prêmio Nacional de Poesia (2008) e o disputado Prêmio Nacional de Cultura em Literatura da Catalunha (2008).Trata-se de um poeta multifacetado, preocupado com as raízes, com o real, sem se ligar com as flores da retórica. Seu lirismo irrompe em poemas com este, de forte impacto social:

“Ser vell”
(Ser velho)
Ser vell és una mena de postguerra.
(Ser velho é uma espécie de pós-guerra).
Asseguts a la taula de la cucina
(sentados à mesa da cozinha)
En vespres de braser triant llenties,
(em tardes de braseiro escolhendo lentilhas)
Veig els qui m´estimaven
(vejo os que me amavam)
Tan pobres que al final d´aquella guerra
(tão pobres que no final daquela guerra)
Es van haver de vendre el miserable
(tiveram de vender o miserável)
Tros de vinya i el gelid casalot.
(pedaços de vinha e o gélido casarão).
Ser vell és que la guerra s´ha acabat
(ser velho é que a guerra se acabou)
Saber on són els refugis, ora inutills!
(saber onde estão os refúgios,ora inúteis!).

  • Joan Margarit foi o poeta vencedor do Prêmio Neruda 2017
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