Vanguarda Literária : LITERATURA E FILOSOFIA

Por José Valdez de Castro Moura

Muitos estudiosos de Filosofia e Literatura sempre dedicaram esforços no sentidos de entender as relações entre essas duas áreas do conhecimento humano, relações estas que pertencem à história de ambas em suas especificações características, basta que levemos em consideração que o pensar filosófico se dá na Literatura. Isso podemos verificar de maneira clara na obra do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger – “Arte e Poesia” e no livro “O que é Literatura” do, também existencialista, francês Jean Paul Sartre. No Brasil, essa questão foi também abordada brilhantemente por filósofos brasileiros, tais como: Benedito Nunes, autor de “Hermenêutica e Poesia” e Gabriel Perissé, que escreveu “Filosofia, Ética e Literatura”.
Dessa maneira,quando nos deparamos com a discussão sobre a interface entre Filosofia e Literatura, a história nos mostra que não é tão fácil diferenciar o filosófico do literário, mesmo porque, nem sempre se criou o hábito de pensar a Filosofia a partir de suas formas literárias e a Literatura expressando os grandes debates da Filosofia. O problema principal não é delimitar onde principia Filosofia e termina a Literatura, ou o contrário, mas, empreender esforços na tentativa de partilhar os SABERES presentes em ambas. Entretanto, quando consideramos a POESIA como linguagem fundamental da Arte, torna-se evidente que a Literatura expressa pensamentos em indagações e articulações (Filosofia) dando, portanto, contribuição para a História do Pensamento. Jamais podemos esquecer que várias páginas dessas duas áreas em discussão mostra fusão ou diálogo entre elas.
Surge uma grande pergunta: onde teve início essa problematização? Tudo começou na Grécia , quando o filósofo PLATÂO na sua monumental obra “A REPÚBLICA”, ao se referir à Poesia, rejeitando-a, com preconceito contra o artista que, seu entender, seria alguém que, por lançar mão da ilusão como forma de representar, iria corromper a compreensão da juventude da Cidade (Polis). Devemos ser justos: o grande filósofo exaltava o Poeta Homero por sua Poesia Épica que enalteceu a Grécia. Existia, naquela época, o pressuposto de que a verdade existia somente no diálogo e, este é marcado pela literalidade aqui entendida como manifestação da linguagem escrita,por conta do pensar a partir dos personagens envolvidos. Não esqueçamos que PLATÃO recorreu ao poeta Esopo para elaborar parte dos seus textos filosóficos. Assim, ele buscou o literário não somente como forma, mas, caminho verdadeiro para alcançar o Conhecimento, mostrando que o literário não é superado pela Filosofia. Indo mais além na questão, vamos observar que na Filosofia Antiga, como na POÉTICA de Aristóteles há uma visão distinta da reflexão filosófica sobre o papel da Arte e da Poesia. O próprio Aristóteles afirma: “A Poesia é mais filosófica e mais elevada do que a História, pois aquela refere o universal, e esta, o particular”. Vários filósofos de alta expressão como Nietzche, Heidegger, Sartre e Jacques Derrida levam em conta esse instigante, interessante e construtivo debate que é sempre atual.

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