Vanguarda Literária : MINHA PRIMEIRA PROFESSORA

Por José Valdez de Castro Moura

No decurso da nossa existência, Deus, com Sua infinita sabedoria e misericórdia, envia ao nosso planeta seres especiais, seja para jogarem luzes de orientação e de amor, seja para afastarem as pedras do nosso caminho. Entre eles, a figura querida dos professores, nossos orientadores amados. Entretanto, nenhum ocupa tanto a casa do nosso bem-querer como a nossa primeira professora. Constitui-se num ser marcante, purificado de hálitos divinos, que carregamos pelo resto da nossa vida.
A minha infância feliz transcorreu no meu berço natal, a inesquecível cidade de Limoeiro do Norte, encravada no sertão do Ceará, doce Mesopotâmia abraçada pelos legendários rios Jaguaribe e Banabuiu. Com cinco anos de idade fui colocado na escola, o meu idolatrado Grupo Escolar Padre Joaquim de Menezes. Naquele sacrossanto local fui beneficiário do amor tocante da minha primeira professora DONA LILI CONRADO, de tradicional família da minha terra, irmã de outras duas grandes educadoras: Dona Neumann e Dona Nozinha. Lembro-me, com nitidez, dos primeiros dias chorosos, inseguros, com saudades de casa (eu morava em frente ao Grupo e Escolar) e, ela, com muito carinho, me colocava sentado na sua mesa de trabalho e ficava desenhando, com sua incrível caneta mágica, relógios no meu braço e acariciava um pequeno sinal vermelho que eu tinha no meu braço direito. Dizia que ele era marca de um beijo para que eu nunca a esquecesse. O destino, por vezes, impiedoso com humanos, apagou os relógios e o sinal. Mas, Deus-Pai recompensou-me com o amor a lembrança permanente da minha fada-madrinha, a DONA LILI. Por onde perigrinei, por esse mundo afora, carreguei comigo a sua imagem indelével . Guardo, com muito afeto, cartões de natal que ela me enviava. Ainda ressoa nos meus ouvidos a sua voz terna falando-me: “Quanta saudade de você,meu aluno querido, hoje médico e professor-poeta!”.
No início de julho de 2018, chegou-me a triste notícia: DONA LILI, a minha estrela-guia, minha fada, encantou-se: voou para o infinito. Foi virar constelação, como diz a música de um famoso samba-enredo. Minha alma derrama a flux, pelo meu rosto um pouco sofrido e tantas vezes indormido, o pranto incontido da saudade imorredoura. Aqui, publicamente, destino, eu cobro com veemência, exijo que me devolva os reloginhos e o sinal, que a minha mestra me ofertou! Voce já me sinalizou um sonoro “não”! Pouco importa! No final você vai perder! O Divino Pai me concede coragem e me dá forças! Ele faz com que eu retenha, na memória, mil relógios e sinais rubros de afeto da minha primeira professora! Você nem sabe, mas ela virou uma estrelinha no céu! Acena para mim todas as noites!
DONA LILI, minha fada, minha primeira professora, SAUDADES.

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