Nossa Terra Nossa Gente : MOANA, PRESENTE INESQUECÍVEL DE NATAL

Por Juraci de Faria

Dia do Natal. Eram onze horas da manhã quando eu a avistei, perambulando sobre as quatro patinhas, sem rumo, de um lado para o outro da minha rua. Aquela criaturinha de cor negra e de olhos castanho-claros, tão pequenina, pesando menos de quatro quilos, tocou meu coração. Chamei por ela em vão… Ressabiada, quanto mais a chamava, mais a cachorrinha se esquivava. Por fim, confiou em mim e veio até o portão.
A vasilha de água e a de ração que lhe ofereci foram sorvidas num átimo. Fome e sede saciadas, seu rabinho não parava de balançar, de um lado para outro: gratidão? Como deixar aquele bichinho tão indefeso perambulando pelas ruas, ao Deus dará? De quem ela seria? Como reencontrar seus donos?
Missão quase impossível… Mesmo assim, roguei aos anjos do céu orientação e ajuda.
– Por onde começar, meu Deus?
Consegui abrigo temporário para “Piquitita” (nome fictício) na casa de um amigo. Lá, demos-lhe banho e providenciamos uma caminha de panos limpos, vasilhas de água e de ração. Ela era a alegria e a meiguice encarnadas. Rapidamente, afeiçoou-se a nós, e aquele território sem dono rapidamente estava dominado por ela. Nossos corações também!
Como sabemos, nosso Pai Celestial também possui muitos anjos na terra e, graças a um deles – Juliana Bigaton Balarin -, encontramos na página da Associação Jaya no Facebook um canal de comunicação com pessoas interessadas na causa de proteção de animais. Postamos fotos da “Piquitita” e ficamos aguardando retorno. Para nossa surpresa, naquela mesma noite, os donos da cachorrinha se manifestaram.
Na manhã seguinte, combinamos a vinda deles para resgatá-la. Apoteose total! Piquitita corria e pulava de alegria, com frenesi. Eles, emocionados, mal tinham palavras para nos contar que “Moana” havia fugido na véspera do Natal, assustada com os fogos de artifício. Estavam aflitos para encontrá-la, pois a pequenina era o xodó da filha Millena, de três anos.
E o que parecia uma missão impossível, possível se tornou graças aos anjos de Deus (os do céu e os da terra!) que se dispuseram a nos ajudar. Milagres existem! Eles estão à espera de nossa capacidade de amar no volume máximo! Quando conquistamos essa dádiva, é impossível não se deixar transpassar pelos olhinhos de um cão perdido que nada nos pede, a não ser amparo e proteção, mesmo que temporários!
Aos que se sensibilizam pela causa dos animais perdidos, maltratados ou abandonados, a Associação Jaya realiza um nobre trabalho em Pindamonhangaba, digno de nossos aplausos e de toda a nossa gratidão! A vocês, anjos de Deus na terra, um presente de natal que o tempo não rouba nem a traça devora: amor, amor, amor – na potência mais que humana de seus corações!

  • “Estavam aflitos para encontrá-la, pois a pequenina era o xodó da filha Millena, de três anos...”
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