Registro Cultural : Nas asas da poesia…

Por Altair Fernandes Carvalho

Criado com a finalidade levar a poesia como fagulha de luz a amenizar os dias sombrios de quem se encontra privado da liberdade e do convívio com a sociedade até que salde as dívidas com a Lei e a Justiça, desde 2016 é desenvolvido pela APL – Academia Pindamonhangabense de Letras, o projeto “Nas asas da poesia”.
Sua primeira apresentação ocorreu na Penitenciária Feminina (P1) de Tremembé, com o apoio da Pastoral Carcerária, na pessoa de seu responsável, padre Gabriel Castro, e demais agentes de pastoral. Segundo a poetisa e arte-educadora Neila Cardoso, “tudo ocorreu dentro de nossas expectativas. Desde então, a cada visita, somos recebidas com carinho e muita consideração por parte de todos os agentes penitenciários daquela unidade; que reconhecem o papel importante dessas parcerias com a sociedade”.
Atualmente, as acadêmicas que desenvolvem o importante projeto junto à população carcerária feminina são: a atual presidente da APL, escritora Bete Guimarães, Neila Cardoso e a professora Fátima Marotti. “Na verdade, precisamos muito de ajuda, seja de homens ou mulheres. Com um ‘time’ mais numeroso poderíamos ampliar o projeto para toda a unidade prisional”, revela a poetisa Neila.
“Com a repercussão positiva de nossos encontros junto às reeducandas, fomos convidadas a estender o projeto para a penitenciária masculina, também em Tremembé, onde o trabalho tem sido igualmente reconhecido como de fundamental importância como ajuda na reinserção social dessas pessoas que tanto necessitam de novos caminhos. Infelizmente, no feminino e no masculino trabalhamos em apenas um pavilhão, daí a importância da adesão de outros acadêmicos”, complementa.
Sobre como é desenvolvido o trabalho ela explica que nas duas unidades prisionais citadas, elas trabalham com leitura e produção de poesia (também com a apresentação de autores dos mais variados estilos). Com os reeducandos há muita leitura, análise, interpretação, declamação e, principalmente produção de poesia. As visitas acontecem uma vez por mês e a cada retorno elas contam que são acolhidas com alegria e respeito.
Sobre a importância desse trabalho da APL, entidade cultural de Pindamonhangaba criada por Lei Municipal e considerada de Utilidade Pública, Neila Cardoso explica: “A poesia tem sido nossa mais bela ferramenta de trabalho… Sentimos que estamos diante de seres humanos que erraram, destruíram suas vidas e de seus familiares e estão pagando caro por seus erros, mas, mesmo assim, demostram o desejo de mudar, fazer diferente, recomeçar… e com a ajuda da poesia, essas pessoas estão descobrindo que isso é possível, que a vida é sempre mais e maior do que podemos imaginar, que cada pessoa é única e tem o direito de estar aqui e construir sua felicidade. “

  • Bete, Neila e Fátima levam a luz da poesia à população carcerária
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