História : Nos tempos em que o 2º Batalhão aqui aquartelado era o de Infantaria

Por Altair Fernandes Carvalho

Em comemoração ao Dia da independência, a população era convidada para assistir a uma competição esportiva envolvendo os militares do batalhão

Nos anos trintas a unidade militar do Exército aquartelada em Pindamonhangaba era o 2º Batalhão do 5º Regimento de Infantaria. Seu efetivo participava das comemorações cívicas referentes à data magna da pátria com provas esportivas que consistiam em testar a habilidade da tropa. O comandante, major Álvaro Barbosa Lima, convidava a população para participar das festividades
Num exemplar avulso do ‘A Cidade’, um dos jornais locais extintos, edição de 7/9/1935, encontramos a programação do mencionado batalhão para uma dessas festividades.
Conforme a programação, haveria alvorada às 6, formatura geral às 7, missa campal às 9 e almoço às 11 horas. Já no período da tarde, às 13h30, se daria a tão esperada competição esportiva entre os militares. As provas eram as seguintes:

1. Prova General Almério de Moura. Esse general era identificado na programação como o comandante – em exercício na época – da 2ª Região Militar (São Paulo). A prova seria montar e desmontar o *F.M.H com os olhos vendados. Na disputa estariam quatro candidatos por Companhia. Prêmios para 1º e 2º lugares.

2. Prova General Ozório. Era o comandante da 4ª Brigada de Infantaria, instalada em Caçapava. Era uma prova de vivacidade, consistia em desuniformizar e uniformizar-se. Concorrentes: dois por Companhia. Prêmio ao vencedor.

3. Prova General Olympio da Silveira. Corrida de estafeta (função exercida pelos soldados). Participariam 12 homens por Companhia. Prêmio à Cia vencedora. Sobre o patrono dessa prova, na programação consta que fora Chefe do Estado Maior do Exército; verificara praça com menos de 16 anos, e morrera com 58 anos. Prestara grandes serviços à nação e servia de exemplo para os militares.

4. Prova General Duque de Caxias (Patrono do Exército Brasileiro). Seria a interessante corrida de padiolas, com dois concorrentes por Companhia. Prêmio aos vencedores. Caxias é exaltado na programação como o maior soldado que o Exército já possuiu. O general que nunca foi derrotado. E que seus atos, quer como militar, político ou administrador sempre objetivaram a grandeza da pátria.

5. Prova Tenente Antonio João. Prova: montagem e desmontagem de metralhadoras pesadas com os olhos vendados. Apenas um concorrente por seção. Prêmio ao vencedor. Esse patrono é identificado como o bravo militar que, com apenas 15 soldados, lutara contra 150 cavalarianos paraguaios que, após terem invadido a fronteira do Mato Grosso, haviam atacado a Colônia Militar de Dourados. O tenente preferiu a morte à desonra, sendo dele a frase sublime: “Sei que morro, mas o meu sangue e o de meus companheiros servirão de protesto à invasão do solo de minha pátria.”

6. Prova Marcílio Dias (marinheiro). Era a prova do cabo de guerra, com 8 concorrentes por Companhia e prêmio à vencedora. O patrono dessa prova também foi herói da Batalha do Riachuelo. Segundo a história, “ tendo perdido o braço direito na luta, tomou o sabre na mão esquerda e combateu até cair no tombadilho quase sem vida, vindo a falecer no dia seguinte.”

O quartel do 2º Batalhão

O local onde se encontrava instalado o quartel do 2º Batalhão do 5º Regimento de Infantaria é o mesmo onde atualmente se encontra o 2º Batalhão de Engenharia de Combate (Praça Padre João de Faria Fialho, 46 – centro). As melhorias no prédio foram realizadas ao longo das décadas.
Sobre este assunto, Athayde Marcondes, em sua obra Pindamonhangaba Através de Dois e Meio Séculos (Typografia Paulista, 1922-SP) cita no capítulo referente ao Mercado Municipal, que o prédio fora construído para abrigar o mercado, mas que, em 1919, “a Câmara Municipal, com o único intuito de fazer permanecer nesta cidade o 4º Corpo de Trem vendeu o grande prédio ao Governo Federal, que foi adaptado e completamente modificado para nele se aquartelar aquele corpo.”
Na revista comemorativa aos 50 anos do 2º Batalhão de Engenharia de Combate , publicada em 1996 (MPC Artes Gráficas), vamos encontrar que o 2º Batalhão do 5º Regimento de Infantaria aqui se aquartelou de 1939 até 1943. Posteriormente, recebeu “a 1ª Companhia do 2º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria (1943 a 1945) e, finalmente, o 2º Batalhão de Carros de Combate Leve que, em 1947, passou ao 2º BE Cmb o atual aquartelamento.”
Com referência ao assunto, a edição de 15/5/1986 do jornal Tribuna do Norte traz um histórico denominado: 2º BEC: 40 anos (não assinado pelo autor), no qual confirma a criação do 2º BE Cmb em 15 de maio de 1946 e sua instalação em Pindamonhangaba em 11 de março de 1947, “com a chegada dos primeiros oficiais e sargentos aqui classificados”.

* FMG pode ser as iniciais do Fuzil Martini Henry, de 1890. Embora o julguemos armamento ultrapassado para o Exército Brasileiro naquele ano de 1935 (esse fuzil tinha quase dois metros de comprimento, segundo referência encontrada no site da Wikipédia).

  • Prédio construído no início do século XX para abrigar o Mercado Municipal, foi adquirido pelo Governo Federal para aquartelar unidades militares. Adaptado para tal finalidade, recebeu melhorias ao longo dos anos, incluindo a construção de um pavimento superior. Desde 1947 é sede do 2º BE Cmb, o glorioso Batalhão Borba Gato
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