Proseando : O OLEIRO INVEJOSO

Por Maurício Cavalheiro

Em um indeterminado reino havia vários oleiros e, entre eles, aquele que se especializou em criar pequenos e belíssimos vasos. Por serem magníficos, tornaram-no muito conhecido. O nome do oleiro era Señor Arcilla: profissional caprichoso, perfeccionista, cheio de talento.
Antes de colocar as mãos no barro, passava dias e noites elaborando o formato de cada vaso,dentro da dimensão pré-estabelecida, para que cada um deles fosse digno de receber o selo de originalidade. Sua produção era intensa e contínua. Por isso, o tempo que dedicava à família era diminuto e sem qualidade.
O Señor Arcilla tinha um grande defeito: a imodéstia. Batia no peito e dizia ser o maior entre todos os oleiros daquele reino e de qualquer parte do universo. Dizia, para quem quisesse ouvir, que ninguém o superaria naquela arte. Muitos não refutavam a perfeição das obras do oleiro, mas, em razão da soberba, evitavam-no.
Havia outro oleiro que também fazia pequenos e belíssimos vasos. E, embora sua produção fosse reduzida e esporádica, não se dedicava apenas à confecção de vasos de pequena dimensão. Outro detalhe que merece destaque, é que ele diferia, totalmente, do Señor Arcilla, pois era modesto, se dedicava à família e às crianças do reino. Seu nome era Simplón.
Com o tempo, a produção de Simplón ganhou destaque, fato que não interferiu em seu comportamento comedido e humilde. Por outro lado, o Señor Arcilla ficou enciumado e espalhou que o trabalho de Simplón era de baixa qualidade, era de principiante. Arrematava, dizendo: “Ele só quer aparecer”.
Quando soube dos comentários maledicentes, Simplón ficou chateado, pensou em quebrar todos os seus vasos e ir embora daquele reino. Só não os quebrou porque seus admiradoreso convenceram a não dar importância ao ciúme do Señor Arcilla.
Mas, por não querer ser causa de nenhum sentimento negativo, Simplón procurou o Señor Arcilla e lhe disse:
– Seus vasos são maravilhosos!
– Eu sei que são. São simplesmente os mais belos, os mais perfeitos. Ninguém me supera nessa arte! Mas, se você tiver alguma dúvida, podemos fazer um concurso para que o povo decida quem é o melhor oleiro do reino.
Simplón recusou o desafio e disse:
– Não precisa. Só existe um oleiro que foi, que é e sempre será insuperável.
Señor Arcilla encheu-se de orgulho.
– Sou eu, é claro!
– Não. Não é o senhor.
– Não me faça rir. Quem é então? Eu o conheço?
– Acho que sim. O melhor oleiro entre todos é… DEUS!

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