Vanguarda Literária : OSCAR WILDE: UM GÊNIO DA LITERATURA MUNDIAL

Por José Valdez de Castro Moura

A Irlanda tão conhecida de nós pelos seus conflitos religiosos legou ao mundo grandes escritores e poetas como: Frank Fronkfort Moore (1855-1931), William Butler Yets (1865-1939) e Oscar Wilde.
Wilde nasceu em Dublin em 1864 e faleceu em Paris em 1939. Possuidor de espírito rebelde e inconformista, inteligência e humor fino e sarcástico, sobressaia entre os jovens da sua geração, vivendo a sua condição de homossexual que lhe custou prisão e humilhação em pleno período vitoriano que tem as tintas do preconceito e conservadorismo. Oriundo de uma família protestante e de recursos, estudou no Trinity College de Dublin e em Oxford. Fundou o Esteticismo (Dadismo) que defendia o BELO em contraposição aos horrores da sociedade industrial. Foi casado e teve dois filhos: Cyril e Vyvyan para quem escreveu estes belos contos: “O Príncipe Feliz” e “O Rouxinol”.
O grande escritor construiu sólida reputação literária tendo uma obra vasta e diversificada. Seu único romance: ”O retrato de Dorian Gray“ é considerado uma obra prima da literatura inglesa; entre outras obras escreveu: ”De Profundis” (um clássico anarquista), “A alma do homem sob o socialismo” e “Balada do cárcere de Reading”. Também escreveu contos e nove dramas para teatro e destacou-se também como poeta, sendo bastantes conhecidas no mundo literário: ”Flores de Ouro” e “ Rosa Mystica”.
Aprecio, de maneira especial, um poema de sua autoria no qual ele se refere a amigos. Ei-lo:
“Escolho os meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessa os bons de espírito nem os de maus hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas que lutam para que as fantasias não desapareçam.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice;
Crianças para que não esqueçam dos ventos nos rostos e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, nunca me esquecerei que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril”.
Reflitamos um pouco sobre a beleza dessa página de um poeta que atravessa tempos e gerações.


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