Lembranças Literárias : Paráfrase

Quando em breve chegar o ameno estio
e tu fores, chorando, ao Campo Santo
em busca do meu túmulo sombrio,
ao vê-lo, hás de sorrir, cheia de espanto.

Sim, porque sobre aquele chão baldio
que nunca teve nem sequer teu pranto,
desdobrado, verás, fofo e macio
da natureza em fl or o verde manto.

Flores do coração… Pudesse eu vê-las
por entre os teus cabelos como estrelas
astros à noite pelo céu dispersos…

Bem como ouvi-las te dizer baixinho
as palavras de amor e de carinho
que eu não te disse nunca nos meus versos!…

Belmiro Braga,
jornal A Situação (extinto),
14 de novembro de 1920

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