Registro Cultural : POEMA JUBILAR NO CENTENÁRIO DA TRIBUNA DO NORTE

Por Altair Fernandes Carvalho

Há um século, Pindamonhangaba –
Cidade Imperial do Norte da Província –
criavas um jornal destinado a subsistir
mais do que os casarões e os sobrados
mais do que a riqueza, o café, a escravaria,
ia vadear a decadência,
sobreviver na cidade morta,
resistir às vicissitudes do tempo,
de mão em mão,
legado inapreciável que ressuscitaria
com a cidade, para viver perpetuamente
nela, com ela, para ela.

11 de junho de 1882. Preside a Província
o Conselheiro Soares Brandão. Na corte
os Liberais estão no poder com o
Gabinete Saraiva. Um jovem deputado liberal
à Assembleia Provincial, João Marcondes de
Moura Romeiro – João Romeiro, o Doutor João
Romeiro, nesta cidade de Pindamonhangaba
funda a Tribuna do Norte, folha liberal
como seu criador.

Lume aceso numa manhã em que sobre
Mantiqueira e Paraíba astros de bom agouro
se juntavam, na cidade plácida não imaginavam
os que te tramaram – Tribuna do Norte – que
volverias um século. E mais viverás, enquanto
neste chão paulista o nome indiado, áspero
de Pindamonhangaba subsistir como sólio
de Princesa.

Uma frágil folha, como a aspereza do tempo
não a crestou?
Frágil folha, quatro páginas circulando aos
domingos pelas famílias,
os moços da terra escreviam sua literatura
de província,
os políticos exaravam prognósticos
sem dúvida graves,
algum soneto namorado,
os “sueltos” de Athayde Marcondes,
a lutuosa coluna dos falecimentos,
A gárrula rubrica dos casamentos
e batizados,
todo o cotidiano impresso semanalmente,
sem perceberem, os que faziam a Tribuna,
que estavam escrevendo a história.

Cem anos nos contemplam da redação
deste humilde jornal
no qual aprendemos
a escrever,
jornal que é a nossa glória
e nosso orgulho, a velha Tribuna
impressa na velha “Alauzet”,
composta e rodada manualmente, a
fabulosa caixa de tipos em que as
mãos ágeis dos tipógrafos de outrora
catavam as letras exatas, tudo isso
é um patrimônio infungível, é o
nosso patrimônio.
Quem diria, Tribuna do Norte, que
Viverias um século?
E mais viverás, enquanto neste chão paulista,
O nome áspero, indiado de Pindamonhangaba
Subsistir como sólio Princesa.

Em homenagem aos 136 anos do jornal Tribuna do Norte comemorados nessa segunda-feira (11), a coluna Registro Cultural dedica o seu espaço a um poema do escritor, poeta, jornalista e crítico literário pindamonhangabense (ocupou a cadeira nº 13 da Academia Paulista de Letras), José Geraldo Nogueira Moutinho. Poema composto especialmente para a edição comemorativa ao centenário do jornal em 11 de junho de 1882.

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