Vanguarda Literária : POR UM BRASIL DIFERENTE…

Por José Valdez de Castro Moura

Causou espanto na Comunidade Científica Nacional o anúncio da conceituada neurocientista Suzane Herculano Houzel de sua ida, em definitivo, para os Estados Unidos da América. A referida cientista é autora de best-sellers sobre neurociência e de estudos importantes e de impacto sobre a arquitetura cerebral, e está a caminho da Universidade de Vanderbilt em Nashville (USA) onde, por certo, terá amplas condições de pesquisa.
O principal motivo que a faz deixar o Brasil é simplesmente o engessamento que se aplica não só à questão salarial, como às condições de pesquisa além de falta de estímulo e pouca recompensa para o mérito.Temos bons cientistas no Brasil, mas, faltam-lhes sobretudo condições. Há projetos fantásticos sem, no entanto, serem destinados recursos para os mesmos. A Dra. Suzane Houzel tirava dinheiro do próprio bolso para financiar o seu laboratório.
Muito se fala no nosso sofrido país sobre as desigualdades sociais: de um lado, uma minoria que detem a riqueza nacional, e, de outro, a grande maioria em condições precárias de subsistência. Espanta-me, sobremodo, a escala de valores. Um jogador de futebol sai do Brasil para ganhar milhares de euros no Exterior, enriquecer, em nada contribuindo para o desenvolvimento do nosso país. Só para se ter uma ideia: há jogador brasileiro na Europa que ganha , em um mês, mais de 300 mil euros! A cientista em pauta, com Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado e anos de trabalho em laboratório, levaria, no mínimo, três anos para ganhar o que o referido atleta, que, muitas vezes, nem sabe cantar o Hino Nacional Brasileiro, aufere nesse curto espaço de tempo.E tem mais: a nossa `Pátria de chuteiras” como dizia o teatrólogo Nelson Rodrigues, por força da mídia, os reverencia como heróis! O grande Herói Nacional, diga-se de passagem, é o PROFESSOR! Convém salientar que a desigualdade existe também na comunidade do futebol, pois, raríssimos chegam a ser um Neymar. A maioria esmagadora ganha salários de miséria nos times de quarta, quinta divisão e daí por diante. Essa mesma mídia cruel cria uma realidade virtual, um sonho impossível, fazendo com que milhares de pais paguem, sem poder, escolinhas de futebol, na vã esperança de que seus filhos, um dia integrem essa elite do futebol, onde o salário é hiperinflacionado. O que resta após esse processo? Frustração dos pais e dos jovens!
Há que se mudar esse paradigma! Levar aos jovens outra perspectiva. Promover o incentivo à Cultura, à meritocracia, para que essa realidade mude, e, tenhamos um Brasil do futuro alicerçado em outros valores, mais progressista e menos desigual. Somente pela Educação é que chegaremos ao almejado futuro para a nossa pátria.

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