História : Prédios que abrigavam um pouco de nossa rica história

A página de história desta edição, em rápidas pinceladas, lembra edificações antigas de Pindamonhangaba que, sem uma proteção burocrática que lhe garantissem a preservação por força de lei, não sobreviveram às especulações imobiliárias ocasionadas pelo crescimento do município. Em ligeira abordagem referente à arquitetura residencial de Pinda, considerando àquelas ocorridas em favor do desenvolvimento do município, citaremos pelo menos três (houve mais) perdas historicamente contundentes: o sobrado dos irmãos Marcondes (em frente à praça Monsenhor Marcondes, esquinas da Deputado Claro César com a rua dos Andradas), onde pernoitou D. Pedro I em passagem por Pindamonhangaba rumo a Santos na cavalgada que resultaria na proclamação da Independência, demolido em 1940; o solar de Francisco Marcondes Romeiro, construção que ficava na rua dos Andradas, altura da entrada do Centro Comercial 10 de Julho, demolida no final dos anos sessentas do século passado. Ainda próximo à praça Monsenhor Marcondes, em sua rua lateral que liga a rua dos Andradas à Gustavo de Godoy, havia a mansão onde residiu o Dr. Benjamin Pinheiro (prefeito de Pindamonhangaba de 1905/1908) e também foi uma das sedes do extinto Clube Literário e Recreativo de Pindamonhangaba. Prédio demolido entre o final dos anos cinquentas início dos anos sessentas.

Prédios públicos
Pelo mesmo motivo, o do progresso, foram ao chão prédios que abrigavam repartições públicas, cujas construções tinham lá seus encantamentos arquitetônicos. Dois destes prédios foram: Fórum e Cadeia Pública, que se localizava na rua Martin Cabral, esquina com a Campos Sales, em frente à sede administrativa da Estrada de Ferro Campos do Jordão, edificação inaugurada em 1918; prédio da Delegacia de Polícia, construído, provavelmente, no final da década de 1940. Ambos demolidos nos anos setentas para a urbanização do local e construção da praça Engenheiro José Salgado Ribeiro, área atualmente ocupada pelo pátio coberto da feira do mercado e Espaço Cultural Cardosão.
Em contrapartida, há casos em que a preservação e conservação de um prédio se dá por iniciativa, interesse e sensibilidade do proprietário do mesmo. Exemplo disso, é o solar da família Salles. Uma edificação datada de 1844, construção atribuída ao padre Antônio Cunha Salgado, localizada no centro histórico da cidade, com frente para o tradicional Largo do Cruzeiro (praça Dr. Francisco Romeiro).
Mais que exemplares que possibilitam avaliar a pluralidade arquitetônica ou as transformações ocorridas devido às reformas públicas, as edificações que o município conseguiu preservar guardam memórias, resquícios existenciais, fatos, feitos e costumes. São cenários que exalam história. Daí a importância da utilização dos mesmos na atividade turística amparada em planejamento criterioso. O retorno vai além da geração de recursos econômicos, haja vista que a manutenção e preservação dos pontos incluídos num roteiro turístico são atividades que complementam as iniciativas de valorização e defesa do próprio patrimônio histórico e cultural do município.
Não temos bases (nem pretensão) para discutir o desaparecimento de edificações por causa de empreendimentos imobiliários. Assim como o que deve ser preservado, qual história arquitetônica deve ser resguardada, cabe aos profissionais especializados nesse mister. Que o façam os especialistas da arquitetura e urbanismo, conhecedores do apuro arquitetônico, elegância, proporções e riqueza das linhas de um imóvel que deva ser preservado a futuras gerações. O foco de nosso texto não foi além da relação carinhosa e saudosista com a nossa Pindamonhangaba antiga.

  • Solar dos Romeiros
  • Sobrado dos Marcondes
  • Fórum e Cadeia
  • Delegacia de Polícia
  • Clube Literário
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