Qual o seu talento? – Pindense trilha passos de dança e de teatro como atalhos profissionais

A artista Mônica Alvarenga insere a aptidão cultural como protagonista de sua carreira

Colaborou com o texto: Dayane Gomes
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Para Martha Graham, “a dança é a linguagem escondida da alma”. A estadunidense foi a mulher revolucionária da história da dança moderna. Paralelamente a sua ideologia, uma moradora de Pindamonhangaba investe sua formação pessoal e profissional no desenvolvimento de atividades artísticas democráticas, conceituais e sadias. Para ela, “a referência de criação está em tudo” e serve de inspiração para o andamento do Ateliê Cênico de Dança, sede da companhia que leva seu nome, Mônica Alvarenga.
Vegetariana e defensora dos animais, Mônica nasceu em 13 de outubro de 1980, no mesmo município em que, mais tarde, se deparou com a vocação inata. “Quando era criança, eu dançava em casa, brincando. A família inteira pegava no pé da minha mãe e ficava falando: ‘põe essa menina para fazer aula de dança’. Só que não, a gente não tinha dinheiro para isso”, conta a pindense.
Aos 15 anos de idade, ela pôde ter seu primeiro contato com a dança através de um projeto social que oferecia aulas gratuitas de jazz. Na mesma iniciativa pública, a adolescente começou a estudar teatro e se induziu a unir as duas artes em seu plano de vida. “Para mim, não tem como separar uma coisa da outra, porque ao mesmo tempo em que eu me matriculei na dança, eu me matriculei no teatro”, afirma Mônica Regina Cardoso da Silva, que adequou seu nome profissional em referência à grande inspiradora, sua avó materna.
Herança artística
Parte de sua trajetória acompanha a hereditariedade da veia artística de Maria José de Alvarenga, que era pintora e escritora. O tio de Mônica, por exemplo, é artista plástico. E a lembrança de escrever poemas ao lado da avó institui uma passagem marcante da infância da dançarina ao ponto de servir de motivação para a produção de um espetáculo em 2016. O “Recorda de Mim” carregou o título de um dos livros da anciã Alvarenga e ostentou uma dedicatória pessoal. “Eu contei a história da minha avó, desde a chegada dos Alvarenga até a morte dela”, comenta e acrescenta: “Já que ninguém a homenageou publicamente aqui em Pinda, eu como neta tenho obrigação de manter sua arte viva, porque ela faz parte da minha vida”.
Atualmente, formada em Artes Cênicas, pós-graduada em Dança e colecionadora de cursos na área, a artista local é a gestora do Ateliê Cênico de Dança de Pindamonhangaba. No espaço, dá forma à “Cia. Cênica de Dança Mônica Alvarenga” por meio de aulas de ballet clássico, sapateado, jazz dance, dança contemporânea e hip hop para alunos de três a 78 anos de idade. Sendo que, a MEI (Microempreendedor Individual) conta com a ajuda do marido para expandir as atividades, elaborar oficinas, produzir novos espetáculos e organizar o “Mova-se Cultural”, um evento anual dedicado à celebração do Dia Internacional da Dança.
Realização
Além de gerenciar seus trabalhos autorais, Mônica Alvarenga integra outros projetos do Vale do Paraíba, sempre expressando suas raízes e sua admiração pela diversidade. “Esses dias, meu pai me falou que eu sou a caipira mais civilizada da família”, se diverte enquanto olha para a mãe, expressando o caráter familiar do seu autorreconhecimento.
A propósito, sua certificação profissional advém da inspiração em muitos ícones da dança, entre eles: Klauss Vianna, Maria Duschenes e Martha Graham, a importante figura feminina citada na abertura do texto. Entretanto, em uma conta rápida é possível perceber que um nome específico ganha destaque na pronúncia da dançarina: Ismael Ivo.
O bailarino, coreógrafo e diretor paulistano esteve na sede do Ateliê Cênico de Dança de Pindamonhangaba em 2017. A ida até o local aconteceu após Mônica vencer a inscrição em um edital e receber a visita como condecoração. “Para mim, o Ismael Ivo estando aqui foi o auge. É incrível saber que ele me conheceu, conheceu meu trabalho e pisou aqui, bem aqui”, se emociona a empreendedora.
De agora em diante, tendo realizado o sonho de conhecer seu ídolo supremo, a artista pindense é objetiva em relação ao que almeja. “Eu quero continuar fazendo o que faço e crescer o Ateliê”, firma.

  • Em 2016, Mônica produziu o espetáculo “Recorda de Mim” em homenagem à avó materna, Maria José de Alvarenga
  • A quarta edição do “Mova-se Cultural” celebrou o “Dia Internacional da Dança” em 2018
  • A artista é a gestora do Ateliê Cênico de Dança de Pindamonhangaba e da “Cia. Cênica de Dança Mônica Alvarenga”
  • Mônica Alvarenga é formada em Artes Cênicas, pós-graduada em Dança e tem vários cursos na área artística
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