Lembranças Literárias : Ternura

Passa os teus dedos vagarosamente
por meus cabelos… indolentemente…
esses dedos de rosa e de cetim.
Fita-me assim, numa ternura ardente,
no abandono infinito de quem sente
o desmaio do amor… assim… assim…

Fruindo essa carícia langorosa,
tenho a louca ilusão de que sou bem
feliz!
Vejo a vida virente, venturosa,
vejo o mundo encantado, cor de rosa,
e até me vem
a crença mentirosa
de que não foi ditoso quem não quis…

Tua meiguice
faz-me idear um mundo
só pra nós e o nosso amor profundo;
faz-me viver, faz-me sorrir, faz-me sonhar
um grande sonho de felicidade…
sob a magia dessa mão até
descreio de quem disse
que é dura a vida e que o amor nos é
cheio de dor e cheio de saudade…

Segredo da ventura… é quem o quer?
A ventura é um carinho de mulher!…

Continua…
pois a carícia tua
sufoca o tédio que persiste em mim;
dá-me esse afago interminavelmente…
languidamente… soluçantemente…
Assim…
Assim…

 

WHO
(publicado na Folha do Norte de 27 de abril de 1930)

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