História : Tribuna do Norte: os primeiros passos…

Por Altair Fernandes Carvalho

No dia 11 de junho, próxima segunda-feira, o jornal Tribuna do Norte completará 136 anos de existência. Aproxima-se já de completar quatorze décadas de sobrevivência este órgão da imprensa interiorana fundado pelo político, jurisconsulto, escritor e poeta Dr. João Marcondes de Moura Romeiro. São duas as viradas de século experimentadas por este periódico pindamonhangabense que entre os jornais em circulação se destaca como o 2º mais antigo do Estado de São Paulo e o 6º do Brasil.
Em referência à data natalícia e em homenagem a João Romeiro, precursor do jornalismo praticado nesta Tribuna, o artigo desta edição faz referência à estrutura que permitia que o então semanário fosse às ruas naquelas manhãs de domingo já bem distantes no tempo.

Recursos
mantenedores
Os primeiros passos daquele que se apresentava com “mais um lutador na vasta área do jornalismo”, foram amparados na venda de assinaturas, na venda de espaço para anunciantes do comércio em geral e nos serviços prestados enquanto gráfica.
Ainda no referente à prestação de serviços como órgão divulgador, mencione-se também o espaço que a Tribuna – mediante remuneração contratual – colocava à disposição do poder público municipal, o Legislativo, que na época também fazia as vezes do Executivo, a Câmara Municipal.

Assinantes. As assinaturas – anuais e semestrais – obviamente com valores diferenciados para a cidade e fora da cidade, também eram consideradas importante fonte de arrecadação. Um comunicado aos assinantes, publicado na edição de 7/9/1884, revela preocupação com a inadimplência:
“Estando vencido o 2º ano deste jornal, rogamos aos nossos assinantes da Corte, Bananal, Vila da Bocaina, Lorena, Guará, Roseira, Taubaté, São Luís, São José dos Campos, Santo Antônio do Pinhal, São Bento e outras localidades cuja distância torna para o nosso gerente difícil e dispendiosa a viagem, o favor de enviarem-nos pelo correio a importância a assinatura de que se acham em débito, descontando o porte e registros do correio”.
Anunciantes. Os anúncios pagos geralmente eram publicados na última página. Os principais anúncios eram de estabelecimentos comerciais, escolas particulares (externatos e internatos), farmácia, medicamentos. Mas haviam também os anúncios classificados: venda de chácaras, casas, perda de objetos, animais de montaria desaparecidos e até sobre a fuga de negros (escravos).
Os anúncios sobre a fuga de cativos não devem ser interpretados como incoerência por parte de um jornal tido como abolicionista, são na verdade serviços prestados pela gráfica. Haja vista que para se sustentar e sustentar sua ideologia e linha editorial a Tribuna do Norte carecia dos anúncios, cujo pagamento pelas publicações era significativa contribuição para sua subsistência.
Serviços gráficos. Sua tipografia era destacada como “em condições de executar todo e qualquer trabalho concernente à arte tipográfica, encarregando-se de execução de todo serviço de impressão, garantindo perfeição, elegância e preços módicos”, aceitando encomendas de cartões de visita, cartas para enterro ou outro assunto, programas, rótulos etc.
No referente a serviços de publicidade, aceitava contratos anuais para a publicação de anúncios com grande “redução de preços”. As publicações poderiam ser pagas “por ajuste prévio” e “a preços módicos”.
Contrato com a Câmara. Havia também o contrato com a Câmara Municipal de Pindamonhangaba, para a publicação das atas das sessões. Na edição de 20/9/1885, na publicação da ata da 6ª sessão ordinária, consta na ordem do dia a seguinte indicação do vereador dr. Gustavo de Godoy: “Indico que se continue com o contrato que a Câmara tem com a gerência da Tribuna do Norte, para publicação do seu expediente, no prazo de um ano, ficando obrigado o sr. dr. presidente a ratificá-lo.
Sala das Sessões, em 21 de agosto de 1885
Dr. Gustavo de Godoy”.
Longeva idade
Cento e trinta e seis anos são passados. Ainda que os recursos que hoje permitem a continuidade dos passos do jornal Tribuna do Norte não sejam muito diferentes daqueles dos tempos de sua origem, é oportuno que se destaque uma histórica contribuição neste sentido: a criação da Fundação Dr. João Romeiro, no dia 6 de maio de 1980. Iniciativa do Dr. Geraldo Alckmin quando prefeito de Pindamonhangaba e que teve à frente o jornalista Luiz Ribeiro, essa fundação mantenedora do jornal exerce importante papel no que diz respeito à longevidade de um órgão de imprensa.

  • Anúncio de cativos fugidos eram publicados na Tribuna
  • O anúncio da “Typografia” saía nos exemplares
  • A impressora era movida no braço (tração humana)
  • A composição era tipo por tipo, letra por letra...
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