Alma solitária

O vento melancólico e cruel geme por entre os galhos morimbundos, e seu pranto é amargo como o fel. E o vento a chorar… Chora amargo o vento. Suas rajadas rasgam sem piedade as entranhas do bosque agonizante. E as folhas mortas dançam junto ao vento, que alucinado açoita e varre o bosque. Os galhos … Ler maisAlma solitária

Ontem e hoje

Jamais eu vira tão gentil menina, olhos formosos, cheios de ternura, as mãos delgadas tinham tal brancura, que uma coisa julguei logo divina. Possuía a boca rósea e pequenina, bastos cabelos de uma cor escura; tinha meiga e distinta compostura, de corpo era, porém, pouco franzina. Usava ainda um vestidinho curto, e ainda um homem … Ler maisOntem e hoje

Soneto (Stechetti)

Não procuro saber o que é que havia dentro da tua cama perfumada, ou se em teu peito lânguido batia um coraçao de santa ou malvada! Não procuro saber se ela mentia entre as promessas da paixão jurada, nem pretendo fazer a anatomia daquela hora de amor, tão bem passada… Pouco importa que um filtro … Ler maisSoneto (Stechetti)

Dois corações

Eu tenho duas filhas – dois amores! para mim, são mui lindas eu bem sei Sim, adoro muito estas duas flores, Amo-as demais como jamais amei! Dentro do peito, sinto mil fervores; e dentro d’alma o amor que dediquei, a estas criaturas – dois primores que feliz nos meus braços embalei! Consegui de Jesus esta … Ler maisDois corações

Galanteio

Beijo-te as lindas mãos com que me feres… as lindas mãos com que me feres beijo… E entre os desejos meus, eu só desejo ter a vaga ilusão de que me queres… E é só. E é tudo. Enquanto se puderes, acolhe com um sorriso, o meu cortejo. Já não me iludo ao ver-te qual … Ler maisGalanteio

Olhos Verdes…

Nesses teus olhos verdes leio e canto a ternura que inspira o nosso amor; vejo neles talvez o meu quebranto que me leva a te ver seja onde for. Que os não tisne a tristeza d’algum pranto de que eu seja capaz e causador… Mas hão de ter nas lágrimas o encanto que o orvalho … Ler maisOlhos Verdes…

Renúncia

Os olhos marejados em manso pranto, a alma mergulhada em dor profunda, no lacerante tormento da renúncia grito o teu nome, e fujo da lembrança. Grito o teu nome, e fujo da lembrança como fugindo de uma coisa louca, escondo o eu magoado em solidão que mata, resisto a tudo que a ti me transporta. … Ler maisRenúncia

O canário

Quando a noite nos céus se desarvora E a madrugada nasce alvinitente, Modula meu canário a voz canora, Talvez chamando a companheira ausente Ao seu cantar se ajunta ardentemente, A falácia que embala os tons da aurora, E ele, em delírios, canta o amor que sente Mesmo lhe sangre o coração que chora. Mas quando … Ler maisO canário

A Alma

Andava tranquilamente pelo florido jardim contemplando as estrelas tão serenas, jorrando luzes brilhantes no imenso céu, quando uma bela e apetitosa jovem de branco passou por mim. Ela, loura de olhos verdes, ofuscava as próprias estrelas. Seu corpo sinuoso, sensual, voluptuoso e garrido, fremeria de prazer e desejo o mais sincero dos maridos. Ela passou … Ler maisA Alma

Ressurreição

Egito… ao povo de Deus, escravizado sob o vil chicote do faraó maldito, o feliz sonho de liberdade era delito ao triste hebreu, no deserto acorrentado. Mas, o fado olha o filho desgraçado, e o grande pesar, na areia do Egito… Aos níveos pés de Moisés, o Santo Mito, em júbilos, por Deus é transformado. … Ler maisRessurreição

Boa resposta

– Bastarde, Dito Machado, Cumo vai passano intão? – Cumo véio inscangaiado, e ocê, cumpadre, vai bão? – Vô ino… e vim por mandado do fio do nhô Bastião, qui anda inté quagi pestiado, sô de amô, só de paxão… – E venho c’o incumbimento de pidi im casamento, pra ele a mão de Zezé… … Ler maisBoa resposta

Numa vereda solitária…

…ela passeia. De alma satisfeita, canta e caminha, balouçando os braços. E a fina relva da vereda estreita vai beijando a leveza de seus passos. Vai descuidosa. Nem sequer suspeita que meus olhares – sátiros, devassos – Vão-na seguindo, vão sonhando, à estreita, beijos de fogo, noturnais abraços… quando ela passa, à margem do caminho … Ler maisNuma vereda solitária…