Brasil treina na altitude por velocidade e bola parada

Para a estreia de Tite, a seleção brasileira tomou uma decisão rara em sua história: fará toda sua preparação em Quito, treinos antes da partida de quinta-feira, contra o Equador.
O estádio Olímpico de Atahualpa, palco do jogo, está a 2.850 metros de altitude. Em anos anteriores, a equipe se preparava na Granja Comary, seu centro de treinamento em Teresópolis, serra do Rio de Janeiro, e depois viajava para a capital equatoriana.

Dessa vez, para priorizar o aspecto técnico, a comissão decidiu viajar com antecedência, mesmo ciente de que haverá um prejuízo físico.

“Ganhamos principalmente no aspecto técnico, de treinar com uma velocidade da bola muito mais rápida do que ao nível do mar. Podemos perder no aspecto físico, mas pouco porque futebol não é um esporte contra o relógio. Não é uma prova de 10 mil metros ou uma maratona. O Tite diz que o futebol é essencialmente técnico, então por que não se adaptar às bolas paradas, às finalizações? A bola é muito importante”, alertou o preparador físico Fábio Mahseredjian na chegada a Quito.

As bolas paradas são a maior preocupação nesse instante. Mahseredjian trabalhava no Fluminense quando a equipe, na final da Libertadores de 2008, contra a LDU, sofreu três gols dessa maneira na cidade – os equatorianos garantiram o título nos pênaltis, no Maracanã.

“O atleta relata que a bola fica muito rápida para o passe, a finalização, o cabeceio. Repare que muitos times tomam gol de bola parada. Eu já vim para cá com quatro, cinco dias de antecedência. Já ganhamos, perdemos e empatamos. Não é isso que vai definir o resultado da partida, mas posso afirmar que estaremos muito mais bem adaptados à velocidade da bola”.

O preparador físico explicou que em La Paz, a mais de 3.600 metros de altitude, seria impossível adotar essa estratégia. A Seleção teria que chegar na hora da partida para minimizar os efeitos.
Em Quito, porém, o pior mal-estar que a comissão técnica prevê são pequenas dores de cabeça. Cilindros de oxigênio foram encomendados e chegaram ao hotel, mas Mahseredjian não acredita que eles serão tão necessários.

“Se algum atleta tiver necessidade, teremos o cilindro em mão, mas, pela experiência que temos, quase ninguém vai pedir. A partir de seis a 12 horas na altitude, você não percebe, mas fica ofegante, começa a hiperventilar. Isso provoca uma série de ajustes respiratórios e cardiovasculares, principalmente numa altitude moderada como a daqui”.

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