Nossa Terra Nossa Gente : INFÂNCIA, TERRITÓRIO SAGRADO DE CECÍLIA

Por Juraci de Faria

Cecília Diniz Almeida, 2 anos e 6 meses, é uma criança feliz. Vive ao pé da Serra da Mantiqueira, com seus pais Gilce e Carlinhos, no Sítio São José. Sua casa se esconde entre as árvores da majestosa mata que recobre o Alto do Piracuama e, quem passa pela Rodovia Floriano Peixoto, não pode imaginar que naquele lugar existe uma menina muito, muito feliz!
Cecília acorda com a alvorada dos passarinhos e, o dia inteiro, ela “reina”, como diz sua mãe. Como a maioria das crianças que vivem no campo, Cecília ajuda e acompanha seus pais nos afazeres cotidianos: rega a horta, apanha fruta no pé, tratados animais domésticos (joga milho para as galinhas,coloca água e ração para osgatos e cachorros, procura ninho e ovinhos de passarinhos nas árvores, é apaixonada pelos bezerrinhos que nascem (ela chama cada um deles carinhosamente de “boi neném”) e, aos poucos, aprende a conhecer e a respeitar os animais silvestres (o tatu que se esconde na toca do barranco, o lagarto que rouba os ovos dos ninhos, os macacos que atravessam o terreiro em bandos, os grilos, as cigarras, as formigas…
Se chove, é uma alegria só: ela brinca nas poças de lama – desde que espere a chuva passar e calce sua botinha vermelha; se faz sol, Cecília brinca de bola de sabão, de casinha de papelão, de ajudar a mãe nas pequenas tarefas domésticas. Os desenhos educativos na TV Cultura, os livrinhos e os “brinquedos de loja”, ela curte nas horinhas de descanso. O tablet e o celular? Só utiliza com a supervisão dos pais e, o mais incrível, ela sabe operá-los com maestria!
As recentes pesquisas científicas atestam que nesta etapa inicial da infância, o aprendizado se dá pelos sentidos, pelo olhar, pelo escuta sensível, pela experiência vivida. E, infelizmente, na contramão da infância da pequena Cecília, muitas crianças do nosso tempo não brincam mais. – E, do que é que brincam as nossas crianças?
Segundo Renata Meirelles (Território do Brincar), as crianças da geração atual estão sofrendo o mais novo abandono: o abandono da terra mater (do latim, terra mãe). O envolvimento precoce e desmedido com as tecnologias de informação e comunicação está subtraindo delas a valiosa experiência afetiva do brincar na Natureza. Aprisionadas aos jogos de vídeogames e celulares, gradativamente perdem o interesse pelas experiências vividas, pelos outros e por si mesmas. Sem saber, estão perdendo o lado potente da infância, isolando-se cada vez mais em minúsculas ilhas virtuais.
Por isso, torna-seum imperativo urgente alertamos pais e educadores: – a infância é um território sagrado!É nos primeiros anos de vida, nas situações vividas que encontramos a bússola e a rota de uma vida plena e feliz. Uma infância saudável como a de Cecília é imprescindível. A presença amorosa dos pais, dos avós, de irmãos e/ou amiguinhas e, sobretudo,o contato diário com a Natureza são experiências que ficarão gravadas para sempre na história de vida dela e, provavelmente, potencializará uma vida plena de amor e cuidado consigo mesmo, com o outro, com a Natureza.
A exemplo de Gilce e Carlinhos, que possamos nós propiciar aos nossos filhos uma infância tão plena de sentido e significado quanto a de Cecília. Olhos nos olhos, mãos entrelaçadas, abraços apertados… Essa troca incalculável de amor só ganha a dimensão divina quando nossas mãos tocam as pequeninas mãos de uma criança e, juntos, revisitamos a nossa infância, a criança que fomos, os brinquedos que promoveram o desenvolvimento físico, psíquico e emocional dos adultos que hoje somos!
Ab imo pectore (do latim, do fundo do meu coração), Gilce e Carlinhos, parabéns! Cecília é o sol na vida de vocês e na vida de todos nós!

  • “...Apaixonada pelos bezerrinhos que nascem, ela chama cada um deles carinhosamente de ‘boi neném’”
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