Vanguarda Literária : MANUEL DE BARROS: A RIQUEZA DA SUA POESIA

Nascido em contato perene com a natureza, em Cuiabá , em 1916, o poeta magistral MANUEL DE BARROS, em termos cronológicos pertenceu ‘a Geração dos Poetas Brasileiros de 45, no entanto, sua obra aproxima- se dos Pós-Modernistas e da icônica Antropofagia de Mário de Andrade.
Seu universo poético não contemplou somente a natureza pantaneira com quem tanto se identificava (sapos, rãs, árvores, pássaros), mas também contemplou problemas inerentes ao mundo humano, a integração do homem com o meio, isso tudo em linguagem cristalina e simples .Ele brincava com as palavras para criar um mundo particular ,no intuito de renovar sentidos e expressar as condições da realidade humana, num percurso rumo a temas universais.Entre as suas obras se destacam: “Poemas concebidos sem pecados”, seu primeiro livro publicado em 1937, “Meu quintal é maior do que o mundo”, “Livro sobre o Nada” ( 1996), “Menino do Mato” ( 2010) , “Memórias inventadas : segunda infância” (2006), entre outros.
MANUEL DE BARROS era muito respeitado pelos escritores e críticos literários. Carlos Drumond de Andrade declarou, em 1986, que ele era o maior poeta brasileiro vivo. E, o que dizer da abalizada opinião do professor, filólogo e crítico literário Antônio Houaiss, que a seu respeito escreveu “A poesia de Manuel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões oníricas no primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo”. Observemos esse poema antológico, considerado entre os melhores que ele escreveu:

“O apanhador de desperdício.
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
Fatigadas de informar.
Dou mais respeito
‘As que vivem de barriga no chão
Tipo agua pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito ‘as coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que os aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais do que dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal ‘é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios
Amo os restos
Como as boas moscas,
Quero-a que a minha voz tivesse
Um formato de canto.
Porque não sou da informática,
Eu sou da invencionatica
Só uso a palavra para compor meus silêncios”

Ave, MANUEL DE BARROS.

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