Vanguarda Literária : O PENSAMENTO DE CAPISTRANO DE ABREU

Por José Valdez de Castro Moura

João Capistrano de Abreu (Maranguape-CE, 1853-Rio -1927) foi um dos mais conceituados historiadores brasileiros, e dedicou-se também à crítica literária, exercendo forte influência no meio intelectual cearense, tendo fundado com Rocha Lima e Araripe Júnior um órgão de debates (“Academia Francesa”) progressista e anticlerical que durou de 1872 a 1875. Senhor de uma sólida cultura humanística, excepcional autodidata, direcionou sua cultura para o determinismo, princípio segundo o qual todos os fenômenos da natureza estão ligados entre si por rígidas relações de causualidade e leis universais que excluem o acaso e a indeterminação.
Obteve, por concurso, a cadeira de História do Brasil no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro,com uma Tese sobre a não causualidade do descobrimento do Brasil por portugueses. Dedicou-se com paixão e, anos a fio, ‘a nossa História Colonial. Escritor prolífico, deixou inúmeras obras, entre elas,”O Descobrimento do Brasil e seu Desenvolvimento no Século XVI” (1883), “Frei Vicente de Salvador” (1887), “Capítulos da História Colonial” (1907).
Capistrano foi muito influenciado pelos pensadores e historiadores Hypolite Adolphe Taine (1828-1893) e Henry Thomas Brucke (1821-1862), o primeiro francês e o segundo inglês, defensores do Determinismo e do Etnocentrismo, mostrando as influências dos fatores clima, nutrição, solo e natureza no comportamento humano. Por conta disso, o nosso historiador legou um clichê por demais pessimista sobre traços do homem brasileiro, como, a indolência, a labilidade emocional, a exaltação súbita ,mas passageira, advindos, segundo ele, do clima, do solo e da mestiçagem. É importante ressaltar que esses rótulos aplicados aos homens dos trópicos, em especial o mestiço, tomou ares de científico e real, o que se pode apreciar nas obras de Sílvio Romero, Nina Rodrigues, Oliveira Viana e até de Euclides da Cunha. Entretanto, somente como esforço da Sociologia e da Antropologia dos anos de 1930, com Arthur Ramos, Roquete Pinto e sobretudo com o genial Gilberto Freire, fez-se uma revisão desses pressupostos.
Capistrano era fiel aos critérios historiográficos de suas época, sendo, portanto, exato e rigoroso nas pesquisas, na datação cuidadosa dos fatos, positivista na concepção do fato histórico e sobretudo determinista como já foi ressaltado anteriormente.
Resgatar o papel desse exemplar brasileiro que nos legou tanto saber é um ato de justiça. Relembro uma de suas fases famosas: “No Brasil não precisamos de História, precisamos de documentos”. Torna-se, assim, importante reverenciar o seu paciente trabalho de reconstrução do passado que ele deixou escrito em linguagem limpa, elegante e escorreita.

  • Capistrano de Abreu
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