Vanguarda Literária : Platão e o Sentido de Justiça

Por José Valdez de Castro Moura

Platão (427 – 347 a.C.) foi um filósofo e matemático, seguidor de Sócrates , fundador da Academia de Atenas é um dos grandes pensadores da Filosofia. Acreditava no mundo interior, das ideias, superior ao mundo exterior, o mundo material, e na imortalidade da alma.
A REPÚBLICA foi a sua obra mais conhecida , a mais comentada ao longo da História da Filosofia . Preocupava esse sábio um dos grandes problemas de seu tempo: como salvar a Cidade que já se deteriorava pela anarquia dos interesses, da ambição desmedida dos seus patrícios e como salvar a Cidade que havia invertido valores , chegando ao ponto de condenar à morte um Mestre – Sócrates , que tinha sido uma verdadeira luz naquela sociedade?
A REPÚBLICA abarca temas filosóficos , políticos e sociais amplos, fundamentais, no entanto, três pontos merecem destaque: a JUSTIÇA , A EDUCAÇÃO e o CONHECIMENTO DAS COISAS. Nos dez livros que compõem essa gigantesca obra há extensos diálogos e comentários sobre a formação de lideranças (que Platão denomina de guardiões ), formação de governantes , a tarefa pública , o questionamento da Justiça .
Onde vamos encontrar a abordagem de Platão sobre o verdadeiro sentido de Justiça? No livro 1 da obra, todo marcado pela ironia, pela humildade e pela persuasão que Platão coloca na boca de Sócrates , como se fora ele falando, estabelecendo um diálogo entre este e TRASIMACO, o principal interlocutor. Este era advogado, não ateniense, filósofo, e, entre os fragmentos que restaram da sua atividade intelectual aparecem , com relevância, dois pontos: CONSTITUIÇÃO , que é História, e JUSTIÇA , que é filosófico. Como ele conceitua justiça? Diz: “Justiça não é outra coisa, e, em toda parte, senão a conveniência do mais forte”. Dessa maneira, apresenta o sentido utilitário de justiça superando o Direito Natural. E, Platão, pela voz de Sócrates, faz um importante apelo ‘a reflexão crítica, deixando claro que na Justiça deve prevalecer o Princípio da UNIVERSALIDADE sobre o Princípio da UTILIDADE. No diálogo, Sócrates destaca que ela tem valor em si mesma, dependendo de condições para o seu exercício, sendo mais fácil ser encontrada em ATIVIDADE PÚBLICA (na Cidade) do que nas pessoas. E, vai mais além: tem como princípio capital, basilar, a SOLIDARIEDADE SOCIAL e, por consequência, o desprendimento e o dever consciente das pessoas dispostas é prover o bem-comum. Portanto, para TODOS, independentemente de Classe Social, etnia, e crenças. Nada mais adequado refletir nesses conceitos filosóficos como nos dias de hoje, em que atravessamos uma das maiores crises de valores da nossa pátria

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