Vanguarda Literária : VINICIUS DE MORAIS E SUAS PAIXÕES

Por José Valdez de Castro Moura

VINICIUS DE MORAIS (1913-1980), o grande escritor da exaltação da mulher, foi uma figura marcante na nossa literatura. Soube, de maneira lírica, escrever, cantar e fazer a arte do amor tipicamente sensual. Esse homem extraordinário foi poeta que tudo viveu e sentiu: diplomata, boêmio escritor e amante das mulheres. Deixava-se envolver pelas suas paixões, prova disso foram os seus casamentos (nove vezes). Foram suas esposas: Beatriz de Azevedo Melo, Regina Pederneiras, Lila Bôscoli , Lucinha Proença, Nelita de Abreu Rocha, Cristina Gurjao, Gesse Gessy, Marta Rodrigues e Gilda de Queirós Matoso.
Na sua carreira como poeta, teve influência do poeta francês Rimbaud (1854-1891) razão pela qual Vinicius passou da Poesia Metafísica para a Poesia do Cotidiano.
Voltamos ao questionamento sobre a PAIXÃO. Para o filósofo existencialista francês Maurice Merleau Ponty (1908-1961), autor de FILOSOFIA DA PERCEPÇÃO, pela paixão, se retiram os véus das coisas como mero objeto, porque, para ele, o homem torna-se corroído pela ânsia de ser e possui, nele mesmo, a necessidade de preencher o vazio desse objeto inacabado. Para Vinicius, a paixão acontecia pela transitoriedade e o risco. Parece que tinha razão, pois para o grande escritor Carlos Drummond de Andrade, ele “Foi o único poeta brasileiro que teve a coragem de viver sob o signo da paixão”. Assim como Merleau Ponty que tinha a noção de que a sensibilidade mostra- se na atitude do corpo, cotidianamente, em cada ato, seria este um espaço do ser que sente e vai ser sentido, o grande Vinicius, no seu fazer poético, enfocando a mulher do mundo real e corpóreo, estabelece uma comunhão com o cotidiano. Daí entendermos que, nas suas múltiplas visões de mulher, e, dedicando grande parte de suas obras a ela, enaltece, de maneira magistral, e figura feminina vítima de tanta opressão, preconceito e injustiça. Dessa maneira, ao enfocar a sua paixão – maior – a mulher fez com que, num processo de dissecção, descobrisse os mistérios existentes na figura feminina, como desejos e anseios reprimidos, recriando- a, desde a mulher submissa, objeto de desejo à endeusada. Não podemos olvidar um fato importante: o poeta tinha um amor plural que se estendia aos familiares, amigos, e trazia consigo o desejo de ser amado por todas as mulheres, de ser amigo de todos os homens.
Era um poeta muito ciente do vazio existencial do ser humano, mas, mesmo assim, celebrava a vida com as mais diversas paixões: pela beleza, pelo álcool ,pela música, pelo amor, pelo exílio. Na sua linguagem voltada para o real, vamos destacá-lo compondo poemas líricos decorrentes da sua experiência cotidiana, do seu encontro entre o transcendental e o humano. Nesse momento, vemos Vinicius compondo os sonetos que ficaram para sempre: SONETO DO AMOR, SONETO DA FELICIDADE, SONETO DO AMOR TOTAL E SONETO DA SEPARAÇÃO. Neles, o excepcional poeta revela verdades íntimas captadas em instantes mágicos de reflexão e de emoção. Esse homem, Poeta do Amor Impossível, para quem as paixões triunfavam sobre a razão, viveu para amar e… amou incondicionalmente!

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