Registro Cultural : Zé Santeiro, artesão-mor da Princesa do Norte

Por Altair Fernandes Carvalho

Registro Cultural traz hoje um breve registro sobre um cidadão cujas abençoadas mãos de artista muito, mas muito mesmo, já moldaram e esculpiram em favor da arte e cultura deste município, o servidor municipal aposentado: José Soares Ferreira, Zé Santeiro, o artesão-mor de Pindamonhangaba.
O conheci no final dos anos oitentas, já fazia então quase 20 anos que ele atuava na prefeitura, ao procurá-lo para fazer matéria sobre o histórico presépio do jardim da cascata da praça Monsenhor Marcondes. Zé Santeiro, além de autor das peças que expressam o nascimento de Cristo, também era responsável pela manutenção delas ao longo dos anos.
Depois desse primeiro encontro ocorreram inúmeros outros com o obetivo de divulgar outros trabalhos artísticos do sábio jordanense que, desde 1957 – e aqui o orgulho deve ser nosso – se tornou um pindamonhagabense. Nascido em Campos do Jordão em 11 de julho de 1930, filho de Maria Esther Lopes Ferreira e Benedito Ferreira, foi aqui que, além de suas magníficas esculturas também moldou sua abençoada família com sua esposa Maria Aparecida, filhos e netos (são seus filhos: Aparecida, Edna e o Eliseu).
Numa de nossas entrevistas, contou-me o artista que se iniciou no mundo da confecção artística quando ainda era um menino e foi trabalhar em uma fábrica de imagens sacras em gesso, na capital paulista, a partir daí foram inúmeras as obras de sua autoria espalhadas pelo Brasil e as premiações também.
De suas criações em Pinda, menciono algumas: na praça Monsenhor Marcondes, é autor dos bancos que imitam troncos de árvores caídas, das figuras de bichos que ornamentam a gruta da cascata e da águia que encima o obelisco à Independência; participou da restauração do Museu Histórico e Pedagógico Dom Pedro e dona Leopoldina, onde executou trabalhos de pintura, desenho em relevo e ornamentação de parede, esculpiu os brasões do império, brasões do Visconde da Palmeira e Barão do Rio Branco; no Piracuama, Balneário Reino das Águas Claras, participou, ao lado dos artistas Alarico Correa Leite e José Pyles, da confecção dos personagens do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato; no Bosque da Princesa trabalhou na recuperação do arco de entrada e portão, confecção de bancos imitando uma tora lascada ao meio, imagem de São Francisco, bancos imitando livros fechados e mesas imitando livros abertos instalados em frente da biblioteca Rômulo Campos D’Arace.
Em julho próximo, o artesão-mor Zé Santeiro completará 89 anos e merece toda homenagem que for possível como essa que recebeu recentemente, brilhante iniciativa da prefeitura através de seu Departamento de Cultura que concedeu a ele e aos artistas: Marino Ferreira de Melo (Brinquedos de Madeira), Maria de Oliveira (Feitio de Azeite de Mamona), Pedro do Prado (Folia de Reis) e Antônia Ferreira da Silva (Artesã), o Prêmio Mestre da Cultura Viva. Uma condecoração merecida a José Soares Ferreira.

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