História : Lembranças Literárias

Ideal

Aquela que eu adoro, não é feita
de lírios nem de rosas purpurinas,
não tem formas lânguidas, divinas,
da antiga Vênus de cintura estreita…

Não é a Circe, cuja mão suspeita
compõe filtros mortais entre ruínas
nem a Amazonas, que se agarra às crinas
dum corcel e combate satisfeita…

A mim mesmo pergunto, e não atino
com o nome que dê a essa visão,
que ora amostra, ora esconde o meu destino.

É como uma miragem que entrevejo
Ideal, que nasceu na solidão,
nuvem, sonho palpável do desejo…

Anthero de Quental,
Tribuna do Norte, 6/11/1927

 

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