História : Notas da Pindamonhangaba antiga

Recordando antigas e curiosas divulgações do jornal Tribuna do Norte no início da década de 30

Nossa página de História de hoje traz duas notas: uma recorda um prefeito de Pindamonhangaba pertencente a ilustre família local; outra, um meio de transporte de grande importância na etnografia sertaneja: o carro de bois!

O doutor e prefeito de Pindamonhangaba

Em 1931, quando para ser prefeito era necessário ser escolhido e indicado pelos governadores de Estado, em Pindamonhangaba estava à frente da prefeitura o Dr. Francisco de Barros Lessa Junior.
Foi o médico Dr. Lessa Junior prefeito elogiado até em Taubaté. Recorda-nos a edição de 20/9/1931 da Tribuna do Norte, matéria que fora publicada em “O Norte”, jornal que circulava na vizinha Taubaté. Em sua edição de 17/9/1931, o referido periódico, considerado pelos da Tribuna como um dos melhores na forma, estilo e conteúdo, parecia satisfeito com o jeito de governar do doutor prefeito ou prefeito e doutor de Pindamonhangaba.

É de louvar-se o gesto do prefeito de Pindamonhangaba, Dr. Lessa junior, que consulta previamente as classes representativas da cidade, antes de tomar quaisquer deliberações em sua administração desde que possam interessar à coletividade”, divulgava “O Norte”.

E complementava: “Não é de hoje que vimos apreciando a atuação liberal e democrática do digno chefe do Executivo Municipal da cidade vizinha. Operoso, honesto, inteligente, o jovem prefeito vem imprimindo à sua administração uma feição assim toda popular, contando com a colaboração de todos para governar o município. E isso lhe tem válido o apoio incondicional de seus conterrâneos e munícipes, bem como os aplausos gerais dos que, como nós, têm conhecimento do fato.

Carro de bois no Museu Nacional

Uma nota interessante publicada no jornal Tribuna do Norte, edição de 29/1/1928, relembra quando o carro de bois passou a ser objeto do acervo do Museu. Com o título “Carro de Bois no Museu Nacional”, a nota iniciava desprezando esse folclórico veículo de tração animal como “maior inimigo das boas estradas de rodagem”.

Em seguida, revelava a intenção da Associação Paulista de Boas Estradas, por intermédio de seu vice-presidente Dr. Domício Pacheco e Silva, em promover o recolhimento de dois tipos de carros de bois, do mais comum, ao Museu Nacional.

A história desse meio de transporte tão presente no desenvolvimento de nossas culturas merecia ser preservada. Haveria de ser incorporado à coleção de Etnografia Sertaneja, onde são recolhidos os documentos da vida diária das nossas populações.

Exemplares de carros de bois teriam sido então conduzidos por caminhões, no dia 14 de janeiro de 1928, da sede da Associação Paulista de Estradas em São Paulo, até o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Responsável pela direção do museu na época, o Dr. Roquete Pinto recebeu os carros de bois.

 

  • Arquivo TN Dr. Francisco Lessa Junior um dos médicos que governaram a “Princesa do Norte” (período 1930/1933)
  • Agência de Notícias São Joaquim Online Já em 1930, para os condutores de veículos de tração a motor, os carros de bois eram “maior inimigo das boas estradas de rodagem”