Sonho de moça

Minh’alma sonha às vezes, docemente, co’alguém… o ‘príncipe encantado’, que há de acordar, um dia, terno e ardente, meu coração, que dorme sossegado… E esse alguém, que há de ser futuramente meu companheiro, meu esposo amado, desejo me conceda o Onipotente seja-me sempre amigo dedicado… E quero traga n’alma a lealdade, que o culto da … Ler mais

Na tarde triste cor de opala…

Há um desalento enorme na tarde triste cor de opala! Tudo é silêncio, a terra dorme! No entanto, ao longe, exul magoado, na curva do caminho, o campanário chora… E a voz do sino, vale afora, vai soluçando de mansinho! É tão tristonha a tarde de ouro! Engano! A tarde é alegre… triste é a … Ler mais

Confissão

Essa mulher que tiranizo e insulto e que das más paixões de dona acuso, talvez nem já mereça o ralho estulto com que humilhá-la em meus rancores uso, Porque se o coração, medroso, ausculto, quer tenha hodierno o amor, quer em desuso, sinto que é dela um misterioso vulto que o ser me habita e … Ler mais

O sino

Ontem, à tarde, o sino lá da ermida anunciava com suas gargalhadas, que Inês, trazendo flores perfumadas, estava aos pés do altar agradecida… Hoje, esse mesmo bronze, em prolongadas notas, nos diz que Inês, na flor da vida, veio então dar-lhe o adeus da despedida num caixão, entre rosas orvalhadas. Ó sino que tanges alegremente, … Ler mais

Do baile ao sonho

Palavras grandes, luzes, sons de piano e vertigens de clássicos violinos!… Esvoaçam risos de mulher, divinos, nesse ambiente – meu gozo e meu tirano De uma valsa me deste a eterna graça… Eras tão leve, assim toda de gaze, tão leve eu era que pensaram quase sermos um par de florida fumaça… Depois, ao fim … Ler mais

Memórias do Largo São José

No Largo de São José naquele tempo passado, havia tourada até no velho quintal do Prado. E o Sinhô fazia teatro com o Juvenal de Faria; pintavam o diabo a quatro com roupas de sacristia. De repente, de mansinho, chegava o Padre Miguel e encontrava o Bastiãozinho na mala – sorte cruel! Descia a bengala … Ler mais

Tarde esportiva

Numa cidade Provinciana como esta, a vida sossegada e igual se escoa numa evangélica tranquilidade. Lembrando a placidez de uma lagoa que o olhar estático abre na floresta. Assim, ao povo é sempre muito grato se alguma festa, algum divertimento, lhe quebra um pedaço esse viver pacato, pondo um pouco a cidade em movimento. Por … Ler mais

Noivos

Amigo, o céu de tua vida agora de um novo brilho rútilo se enfeita: – O olhar formoso da formosa eleita, eleita de tua alma sonhadora. Ao fulgor dessa luz enlevadora toda amargura em ti sentes desfeita e a alegria, mais franca e mais perfeita, entra cantando por tua alma afora… Queira o céu piedoso … Ler mais

Soneto

Ontem, sorrindo, a virgem linda e flava, tinha um fulgor no olhar, resplandecia! Hoje, agourenta, veio a morte fria. Que a levou, presa enfim, como uma escrava!… Aquele rosto moço que lembrava todo um poema de vida e de alegria jamais verei, dizia (e aqui chorava a minh’alma num grito de agonia)… Ao longe, alveja … Ler mais

A órfã

A órfã Pálida, entristecida, abandonada e só, sem nunca mais fruir os beijos maternais, sem ter da rósea vida os gozos divinais, vivia numa angústia que fazia dó. Sem pão e sem abrigo, à sombra d’uma cruz, com o célico olhar num Cristo dolorido, chorava de saudade um pranto entristecido. E nunca mais brilhou nos … Ler mais

Poema ao som da chuva

Que chuva sem fim! Vem caindo, escorregando… Fustigando a rua. Que tristeza sem fim a da natureza. Até os montes risonhos quietam-se atrás de véus neblinais. A natureza chora chuva. Que nostalgia sem fim a minha. Vem vindo, ficando… Chove lágrimas de nostalgia! Será meu pranto infinito essa chuva sem fim? Em cada gota saudades … Ler mais

Noivos

Amigo, o céu de tua vida agora de um novo brilho rútilo se enfeita: – O olhar formoso da formosa eleita, eleita de tua alma sonhadora. Ao fulgor dessa luz enlevadora toda amargura em ti sentes desfeita e a alegria, mais franca e mais perfeita, entra cantando por tua alma afora… Queira o céu piedoso … Ler mais